sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Registro, acervo, relato por Adriana Janaína Poeta CPF.:01233034782

31/10/2025 as 18h Estão ainda retendo bens e valores meus e de Marcelo Bernardo de Oliveira, meu marido. Estou procurando emprego como vendedora, gerente ou supervisora, já atuei nessas funções, lojas de moda infantil, viagens e acessórios. Estou morando em quarto de hóspedes na casa da minha irmã, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Não cedo meus direitos autorais, referentes a minha obra autoral ou publico em outra editora, que não seja a minha, quando eu puder. Adriana Janaína Poeta Pseudônimo de Adriana Janaína Alves de Oliveira CPF.:01233034782 Data de nasc.:14/02/1971 adrianajanainapoeta01233034782@gmail.com

Asa de barata por Adriana Janaína Poeta/ in Malditos pensamentos que escapam/ CPF.: 01233034782/ Clube de Leitura dos Poetas/ Todos os direitos reservados.

Asa de barata por Adriana Janaína Poeta/ in Malditos pensamentos que escapam/ CPF.: 01233034782/ Clube de Leitura dos Poetas/ Todos os direitos reservados. Epsódio: 18 - Miow... - Fez a gata, entrando no quarto. Esfregou a cabeça no braço de Aucilene, que afagou os seus pêlos, sorrindo. Aquele momento de afeto, quebrou a tensão que havia. Na tv, com o controle remoto quebrado, o celular, com defeito, sem ligar, sem acesso a internet na tv, ou possibilidade de trocar o canal, só podia assistir a programação de uma emissora. No dia em que o controle remoto quebrou, estava naquele canal e volume. Na tv, fisicamente, havia apenas o botão, bem escondido, para ligar e desligar o aparelho, qualquer outra coisa, só poderia ser feito com o controle remoto, inexistente, no momento. Há duas semanas, a emissora colocou no ar, um dos piores programas (Formato enlatado, ou seja, ainda pagaram pelos direitos para reproduzir, com alterações pontuais). Conseguiram patrocínio, apoiadores, anunciantes, compraram ítens para o cenário, etc. Mesmo com a publicidade, ainda havia gastos. Pagavam, escolheram o tal formato. Convidavam pessoas, contrataram equipe... Talvez, quem mais odiavam. Devia ser uma espécie de trote, televisivo... Diretor: - Lá vem a Neusa!... - Disse, tentando se esconder atrás da palma da mão aberta. A outra mão estava ocupada, segurando o cigarro aceso. Contra regra: - O quê? - Indagou, cheio de papéis nos braços, o fone nos ouvidos, o microfone colado na bochecha, perto da boca, ainda conectado, o celular tocando, no bolso. Neusa: - Para! Estou vendo você! Diretor: - Não sou eu, não!... Eu não estou aqui... - Murmurou o diretor, visivelmente aflito, por trás da mão espalmada na frente do rosto. Contra regra: - Eu vou... Diretor: - Não vai, não! Fique aí!... Contra regra: - Mas, eu preciso... Diretor: - É uma ordem! Fique exatamente aonde você está!... Neusa... Eu disse ao telefone... E como você ligou, Neusa!... Eu disse! Ainda não há nada para você... À sua altura! Do seu porte! Neusa: - Mas, eu estou há muito tempo fora das telas! O tempo está passando! Estou pronta para voltar a apresentar... Pode ser qualquer coisa! Lembre que me deve favores! Sempre te coloquei lá no alto! Diretor: - Neusa... Neusa: - Vou ligar para você, todos os dias! Vou deixar bilhetes no seu carro, no prédio... Vou entrar aonde você estiver! Vai ficar chato para você! - Disse Neusa, e riu, achando engraçado. O diretor, pálido, a guimba do cigarro, que ardia, ainda entre os dedos na mão, a boca entreaberta, espantado, preocupado. O contra regra, encolhido, entre os dois, olhava para um e para o outro, enquanto o telefone tocava, sem saber o que fazer. Diretor: - Neusa, por favor... Neusa: - Você está me enrolando há muito tempo! Você prometeu! Prometeu! Prometeu!...- Insistiu Neusa, visivelmente irritada. A loura, fuzilava o diretor com seus olhos verdes. Diretor: - Eu vou ver... Neusa: - Não! Quero uma posição sua, agora! - Disse Neusa, decidida. Bateu o salto do sapato da perna direita contra o chão, de vez em quando, nervosa. Estava impecável, elegante. Apesar de não ter mais 20 anos, era bela, e sabia disso. Estava furiosa, e tentava, a custo, não partir para a agressividade. Segurou o braço do diretor, Arnóbio, um velho amigo, a quem muito ajudara no passado, quando ela estava fazendo sucesso, em um programa com boa audiência. Diretor: - Está bem! - Disse, friamente, tendo nos olhos dois icebergs gigantescos. Soltou a mão de Neusa do seu braço, endireitou a postura, jogou a guimba fria, não mão atarefada do contra regra, que a esticara, na sua direção, para isso, incomodado com o resto de cigarro na mão do diretor. Neusa recuou alguns "saltos", surprêsa. Um brilho crescia nos seus olhos, um sorriso, encantado, nos lábios expandindo pelo rosto, bem maquiado. Neusa: - Verdade? Diretor: - Sim. Neusa: - Que programa? fale de uma vez! Estou curiosa... O diretor olhou para o contra regra. Era um olhar matreiro, ardiloso, irônico, contido, assustador... O contra regra percebeu a intenção. Conhecia aquele olhar. Apertou os papéis junto ao peito, olhou, com pena, para a mulher que conhecia apenas das telas, de nome, e depois para Arnóbio. Diretor: - Me dá!... Contra regra: - Hã?... Diretor: - Vamos, Lucas!... Disse, com voz estranhamente segura, firme, calma. Um fino sorriso rasgava os seus lábios. Contra regra: - Eu... Eu... Diretor: - Me dá logo esse papel, Lucas! Você sabe qual é!... - Berrou o diretor, impaciente, sério. Lucas, o contra regra, lançou um último olhar de lamento para Neusa, que estava tão feliz com a possibilidade de retornar para as telas, apresentando um programa, que nada percebeu. O diretor ainda estendia a mão para Lucas. Lucas pôs a guimba fria no bolso, junto com o celular que não parava de tocar... Procurou, devagar, entre os papéis que segurava nos braços,até encontrar o que Arnóbio queria. Contra regra: - Tem certeza? Diretor: - Tenho! Me dá logo isso!... - Gritou Arnóbio. Contra regra: - Está bem!... - Disse, nervoso. Lucas procurou, entre as folhas que trazia nos braços, amarfanhadas, o papel que Arnóbio queria. Puxou a folha e entregou para o diretor. Arnóbio sequer olhou. Seus olhos estavam grudados em Neusa. Um sorriso malicioso e frio, vitorioso, dançava nos seus lábios. Arnóbio entregou o papel para Neusa, que o puxou como se fosse um bilhete de loteria premiado. A princípio, Neusa obervava, lia, o conteúdo, séria. Olhou para Lucas, para Arnóbio... Pôs o dedo indicador, unhas bem feitas, sobre a boca... Como se refletisse, depois no queixo. Neusa: - Asa de Barata?... - Indagou Neusa, ainda refletidno sobre o nome, formato, resumidamente descritos no papel, meio amassado, amarelado. Diretor: - Gostou? - Indagou, ainda sorrindo. O contra regra quis sair, de fininho... O diretor segurou o seu braço, sem olhar na sua direção, fazendo um gesto, para que ficasse ali. Neusa: - Não sei... Diretor - O quê é isso, Neusa? Foi apresentado antes por outras apresentadoras. Com sucesso! É um formato de fora! Está pronto para ser apresentado por alguém como você!... Neusa: - É?... Diretor: - Você vai adorar! Neusa: - Eu... Está bem! Diretor: - Ótimo! - Disse, lançando um olhar para o contra regra, que olhou para Neusa com tristeza. Neusa: - Eu fico com esse! Diretor: - Você ficará ótima apresentado esse programa! Asa de Barata! Com Neusa Siqueira! A audiência vai ser grande! Neusa sorria, radiante. O diretor, sacou o celular, no bolso, ligando para alguém e contando a novidade. Já tinha o nome da apresentadora ideal para o Asa de Barata! Era um programa sobre conflitos entre familiares, amigos, vizinhos para as tardes mais agradáveis. Tapas, socos, xingamentos, escorregões, empurrões, corridas, falsidades, roupas sujas sendo lavadas em público, enquanto arranhavam o bom português, despejando gírias e desgraças caseiras, pelas telas das famílias brasileiras... Animado com a vingança, o diretor , ainda ao telefone, sacudia o contra regra pelo ombro, ansioso para dizer algo, mas ocupado com o telefonema, com o que dizia e ouvia, apenas agarrava e balançava o ombro de Lucas... Até que os papéis voaram, com o contra regra, que escorregou no chão, tropeçando em um dos muitos cabos... Neusa, o diretor, ainda ao telefone, tentavam ajudar Lucas a levantar, enquanto este tentava reunir os muitos papéis espalhados pelo chão, alcançar o celular, que caíra do bolso, ainda tocando sem parar, caído no canto escuro e afastado, com os dois o segurando... Dos contornos das sombras, aonde estava o celular, desprendeu-se e tomou forma, uma figura... Baixo, largo, a perna direita menor do que a esquerda, a cabeça pequena, a boca grande, os cabelos espetados, irregulares, corpo, mão, rosto, braços... Todas as partes do corpo, escritos, rascunhos em letra cursiva sobre digitação... Aproximou-se dos três, tendo Lucas ainda de joelhos, Neusa e o diretor tentando erguê-lo. Arnóbio ainda tinha o telefone colado ao ouvido. Os três estavam paralisados, observando, surprêsos, espantados, assustados, o recorte que parou, diante deles. Maldito pensamento que escapa: - O Programa mais inútil vai voltar? - Indagou. Sem esperar resposta, começou a fazer birra... Pisava, pulava, mãos desajeitadas, as vezes, cruzadas sobre o peito, murmurando coisas inaudíveis. O olhar chateado, as vezes, parava no chão, zangado. - Esse programa é horrível! Sempre foi! Vão trazer o pneu velho debaixo do braço suado, também?! Vão botar fogo no meio do caminho? incendiar um sofá velho, caixotes de feira?... Vão deixar lixo nos cantos? Vão? Vão?... Um vai tascar um tapa no outro? Puxar os cabelos, apliques?... Vai? Que tal?... Alguém vai encontrar um nome mais bonito para xingar a mão, o filho, o marido?... Ah! Mas, isso já aconteceu no Programa! Esse Programa é um lixo! Ninguém vai dizer? Não?... A coitada vai ter que apresentar o lixo? Você odeia tanto assim a mulher, Arnóbio? E quem assiste em casa? Sem a opção de ver outra coisa, tem que passar por isso, Arnóbio? Só para você dar uma lição ou se livrar da Neusa? Quer se vingar? Arnóbio!... Esse formato é horrível! Lá e cá! Avise! Grite! Pregue nas paredes, Arnóbio! Denuncie! Asa de Barata emburrece, chateia, enerva! Quem assiste, quem participa, quem apresenta! E vocês pagam para passar! Enpurram para os patrocinadores! Jogam essa porcaria nas tardes, nas telas, para os coitados assistirem... Ou desligam a tv! Por quê? Arnóbio?... Arnóbio? Arnóbio?- Berrou o recorte, chutando os papéis que estavam no chão, nervoso como uma criança. Neusa olhou para o diretor. Asa de barata por Adriana Janaína Poeta/ in Malditos pensamentos que escapam/ CPF.: 01233034782/ Clube de Leitura dos Poetas/ Todos os direitos reservados. Epsódio: 18 - Miow... - Fez a gata, entrando no quarto. Esfregou a cabeça no braço de Aucilene, que afagou os seus pêlos, sorrindo. Aquele momento de afeto, quebrou a tensão que havia. Na tv, com o controle remoto quebrado, o celular, com defeito, sem ligar, sem acesso a internet na tv, ou possibilidade de trocar o canal, só podia assistir a programação de uma emissora. No dia em que o controle remoto quebrou, estava naquele canal e volume. Na tv, fisicamente, havia apenas o botão, bem escondido, para ligar e desligar o aparelho, qualquer outra coisa, só poderia ser feito com o controle remoto, inexistente, no momento. Há duas semanas, a emissora colocou no ar, um dos piores programas (Formato enlatado, ou seja, ainda pagaram pelos direitos para reproduzir, com alterações pontuais). Conseguiram patrocínio, apoiadores, anunciantes, compraram ítens para o cenário, etc. Mesmo com a publicidade, ainda havia gastos. Pagavam, escolheram o tal formato. Convidavam pessoas, contrataram equipe... Talvez, quem mais odiavam. Devia ser uma espécie de trote, televisivo... Diretor: - Lá vem a Neusa!... - Disse, tentando se esconder atrás da palma da mão aberta. A outra mão estava ocupada, segurando o cigarro aceso. Contra regra: - O quê? - Indagou, cheio de papéis nos braços, o fone nos ouvidos, o microfone colado na bochecha, perto da boca, ainda conectado, o celular tocando, no bolso. Neusa: - Para! Estou vendo você! Diretor: - Não sou eu, não!... Eu não estou aqui... - Murmurou o diretor, visivelmente aflito, por trás da mão espalmada na frente do rosto. Contra regra: - Eu vou... Diretor: - Não vai, não! Fique aí!... Contra regra: - Mas, eu preciso... Diretor: - É uma ordem! Fique exatamente aonde você está!... Neusa... Eu disse ao telefone... E como você ligou, Neusa!... Eu disse! Ainda não há nada para você... À sua altura! Do seu porte! Neusa: - Mas, eu estou há muito tempo fora das telas! O tempo está passando! Estou pronta para voltar a apresentar... Pode ser qualquer coisa! Lembre que me deve favores! Sempre te coloquei lá no alto! Diretor: - Neusa... Neusa: - Vou ligar para você, todos os dias! Vou deixar bilhetes no seu carro, no prédio... Vou entrar aonde você estiver! Vai ficar chato para você! - Disse Neusa, e riu, achando engraçado. O diretor, pálido, a guimba do cigarro, que ardia, ainda entre os dedos na mão, a boca entreaberta, espantado, preocupado. O contra regra, encolhido, entre os dois, olhava para um e para o outro, enquanto o telefone tocava, sem saber o que fazer. Diretor: - Neusa, por favor... Neusa: - Você está me enrolando há muito tempo! Você prometeu! Prometeu! Prometeu!...- Insistiu Neusa, visivelmente irritada. A loura, fuzilava o diretor com seus olhos verdes. Diretor: - Eu vou ver... Neusa: - Não! Quero uma posição sua, agora! - Disse Neusa, decidida. Bateu o salto do sapato da perna direita contra o chão, de vez em quando, nervosa. Estava impecável, elegante. Apesar de não ter mais 20 anos, era bela, e sabia disso. Estava furiosa, e tentava, a custo, não partir para a agressividade. Segurou o braço do diretor, Arnóbio, um velho amigo, a quem muito ajudara no passado, quando ela estava fazendo sucesso, em um programa com boa audiência. Diretor: - Está bem! - Disse, friamente, tendo nos olhos dois icebergs gigantescos. Soltou a mão de Neusa do seu braço, endireitou a postura, jogou a guimba fria, não mão atarefada do contra regra, que a esticara, na sua direção, para isso, incomodado com o resto de cigarro na mão do diretor. Neusa recuou alguns "saltos", surprêsa. Um brilho crescia nos seus olhos, um sorriso, encantado, nos lábios expandindo pelo rosto, bem maquiado. Neusa: - Verdade? Diretor: - Sim. Neusa: - Que programa? fale de uma vez! Estou curiosa... O diretor olhou para o contra regra. Era um olhar matreiro, ardiloso, irônico, contido, assustador... O contra regra percebeu a intenção. Conhecia aquele olhar. Apertou os papéis junto ao peito, olhou, com pena, para a mulher que conhecia apenas das telas, de nome, e depois para Arnóbio. Diretor: - Me dá!... Contra regra: - Hã?... Diretor: - Vamos, Lucas!... Disse, com voz estranhamente segura, firme, calma. Um fino sorriso rasgava os seus lábios. Contra regra: - Eu... Eu... Diretor: - Me dá logo esse papel, Lucas! Você sabe qual é!... - Berrou o diretor, impaciente, sério. Lucas, o contra regra, lançou um último olhar de lamento para Neusa, que estava tão feliz com a possibilidade de retornar para as telas, apresentando um programa, que nada percebeu. O diretor ainda estendia a mão para Lucas. Lucas pôs a guimba fria no bolso, junto com o celular que não parava de tocar... Procurou, devagar, entre os papéis que segurava nos braços,até encontrar o que Arnóbio queria. Contra regra: - Tem certeza? Diretor: - Tenho! Me dá logo isso!... - Gritou Arnóbio. Contra regra: - Está bem!... - Disse, nervoso. Lucas procurou, entre as folhas que trazia nos braços, amarfanhadas, o papel que Arnóbio queria. Puxou a folha e entregou para o diretor. Arnóbio sequer olhou. Seus olhos estavam grudados em Neusa. Um sorriso malicioso e frio, vitorioso, dançava nos seus lábios. Arnóbio entregou o papel para Neusa, que o puxou como se fosse um bilhete de loteria premiado. A princípio, Neusa obervava, lia, o conteúdo, séria. Olhou para Lucas, para Arnóbio... Pôs o dedo indicador, unhas bem feitas, sobre a boca... Como se refletisse, depois no queixo. Neusa: - Asa de Barata?... - Indagou Neusa, ainda refletidno sobre o nome, formato, resumidamente descritos no papel, meio amassado, amarelado. Diretor: - Gostou? - Indagou, ainda sorrindo. O contra regra quis sair, de fininho... O diretor segurou o seu braço, sem olhar na sua direção, fazendo um gesto, para que ficasse ali. Neusa: - Não sei... Diretor - O quê é isso, Neusa? Foi apresentado antes por outras apresentadoras. Com sucesso! É um formato de fora! Está pronto para ser apresentado por alguém como você!... Neusa: - É?... Diretor: - Você vai adorar! Neusa: - Eu... Está bem! Diretor: - Ótimo! - Disse, lançando um olhar para o contra regra, que olhou para Neusa com tristeza. Neusa: - Eu fico com esse! Diretor: - Você ficará ótima apresentado esse programa! Asa de Barata! Com Neusa Siqueira! A audiência vai ser grande! Neusa sorria, radiante. O diretor, sacou o celular, no bolso, ligando para alguém e contando a novidade. Já tinha o nome da apresentadora ideal para o Asa de Barata! Era um programa sobre conflitos entre familiares, amigos, vizinhos para as tardes mais agradáveis. Tapas, socos, xingamentos, escorregões, empurrões, corridas, falsidades, roupas sujas sendo lavadas em público, enquanto arranhavam o bom português, despejando gírias e desgraças caseiras, pelas telas das famílias brasileiras... Animado com a vingança, o diretor , ainda ao telefone, sacudia o contra regra pelo ombro, ansioso para dizer algo, mas ocupado com o telefonema, com o que dizia e ouvia, apenas agarrava e balançava o ombro de Lucas... Até que os papéis voaram, com o contra regra, que escorregou no chão, tropeçando em um dos muitos cabos... Neusa, o diretor, ainda ao telefone, tentavam ajudar Lucas a levantar, enquanto este tentava reunir os muitos papéis espalhados pelo chão, alcançar o celular, que caíra do bolso, ainda tocando sem parar, caído no canto escuro e afastado, com os dois o segurando... Dos contornos das sombras, aonde estava o celular, desprendeu-se e tomou forma, uma figura... Baixo, largo, a perna direita menor do que a esquerda, a cabeça pequena, a boca grande, os cabelos espetados, irregulares, corpo, mão, rosto, braços... Todas as partes do corpo, escritos, rascunhos em letra cursiva sobre digitação... Aproximou-se dos três, tendo Lucas ainda de joelhos, Neusa e o diretor tentando erguê-lo. Arnóbio ainda tinha o telefone colado ao ouvido. Os três estavam paralisados, observando, surprêsos, espantados, assustados, o recorte que parou, diante deles. Maldito pensamento que escapa: - O Programa mais inútil vai voltar? - Indagou. Sem esperar resposta, começou a fazer birra... Pisava, pulava, mãos desajeitadas, as vezes, cruzadas sobre o peito, murmurando coisas inaudíveis. O olhar chateado, as vezes, parava no chão, zangado. - Esse programa é horrível! Sempre foi! Vão trazer o pneu velho debaixo do braço suado, também?! Vão botar fogo no meio do caminho? incendiar um sofá velho, caixotes de feira?... Vão deixar lixo nos cantos? Vão? Vão?... Um vai tascar um tapa no outro? Puxar os cabelos, apliques?... Vai? Que tal?... Alguém vai encontrar um nome mais bonito para xingar a mão, o filho, o marido?... Ah! Mas, isso já aconteceu no Programa! Esse Programa é um lixo! Ninguém vai dizer? Não?... A coitada vai ter que apresentar o lixo? Você odeia tanto assim a mulher, Arnóbio? E quem assiste em casa? Sem a opção de ver outra coisa, tem que passar por isso, Arnóbio? Só para você dar uma lição ou se livrar da Neusa? Quer se vingar? Arnóbio!... Esse formato é horrível! Lá e cá! Avise! Grite! Pregue nas paredes, Arnóbio! Denuncie! Asa de Barata emburrece, chateia, enerva! Quem assiste, quem participa, quem apresenta! E vocês pagam para passar! Enpurram para os patrocinadores! Jogam essa porcaria nas tardes, nas telas, para os coitados assistirem... Ou desligam a tv! Por quê? Arnóbio?... Arnóbio? Arnóbio?- Berrou o recorte, chutando os papéis que estavam no chão, nervoso como uma criança. Neusa olhou para o diretor. --------------------- Enquanto digito, posto, invadem o sistema e incluem erros gramataais, para tentar me forçar a aceitar fazer o que querem, ceder meus direitos autorais para terceiros ou publicar em editoras, e só publico na minha, quando puder, não cedo meus direitos autorais. Corrijo quando percebo. ---------------------

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

In O Espetinho Contos/ roteiros: Teatro, cinema, tv. Por Adriana Janaína Poeta CPF.:01233034782 Todos os direitos reservados adrianajanainapoeta01233034782@gmail.com https://www.facebook.com/adrianajanainapoeta Parte 1/ Ana Claudia

In O Espetinho Contos/ roteiros: Teatro, cinema, tv. Por Adriana Janaína Poeta CPF.:01233034782 Todos os direitos reservados adrianajanainapoeta01233034782@gmail.com https://www.facebook.com/adrianajanainapoeta Parte 1 Ana Claudia A família. (Personagens)... Ana Claudia, morena, cabelos ondulados abaixo dos ombros, do tipo sossegado, de poucas palavras. 23 anos de idade. Adora pistache. Antonieta, irmã de Ana Claudia. Mulata, cabelos ondulados, tingidos de louro. Extrovertida, atrevida, inquieta, afobada. O tipo que fala sem pensar, e não consegue parar de falar.Tem 25 anos de idade. Adora avelãs. Ana Claudia e Antonieta fazem aulas de jazz e alongamento, na Academia do bairro. Modesto, irmão primogênito, 27 anos. Publicitário, bom pai, bom marido, bom filho. Trabalha numa agência de publicidade, no centro do Rio de Janeiro. Responsável, leitor voráz. Adora pizza. Pratica judô e esgrima, na academia do bairro Modesto é casado com com Gilda, 26 anos.Artesã, fabricante de bonecas artesanais e pelúcias, professora de artes manuais, crocheteira, dona de casa. Vende artesanato e dá aulas, pela internet. Adora biscoitos de feira, recheados com goiabada. Modesto e Gilda são pais de Vitório, 3 anos e Mateus, 5 anos. Vitório é o desenhista da família. Adora chocolate. Mateus é o amante da natureza, dos animais. Muito inteligente e curioso, gosta de desmontar e montar dispositivos, eletro, eletrônicos.Gosta de aprender como funcionam. Adora tomar xarope. A mãe precisa esconder. Mateus e Vitório praticam karatê, na Academia do bairro. Florentino e Angela, pais de Ana Claudia, Antonieta e Modesto. Ele, tranquilo e caseiro, ela, agitada e festeira. Vivendo em um bairro de classe média, a família mora no sobrado, tendo a lanchonete, familiar, no primeiro andar, de seu Florentino e dona Angela. Florentino adora massas. Angela gosta de sopas e caldos, sempre cuida bem da saúde. Faz caminhada, alongamento e dança de salão, na academia do bairro. Na lanchonte, trabalham as filhas, com os pais e um assistente. Ana Claudia tem um casal de gatos, adotados durante uma ação na Praça, da Igreja Católica Nossa Senhora das Graças, paróquia do bairro. A Paróquia estimulava o cuidado, bem estar, adoção de pets de rua e abandonados, sem lar. O padre João atuava, incansavelmente. Amendoim era o gato amarelo de Ana Claudia. Tangerina a gata cinza, porque tinha algumas manchas amarelas, e foi adotada depois de Amendoim. Antonieta tem três cachorros: uma doberman, dócil, mas atenta, Sanny. Um vira latas: Avelã, carinhoso e brincalhão. Um dálmata: Pitanga, engraçado, estabanado, afetuoso. Antonieta presta atenção em tudo. Sempre comenta as suas considerações, com a irmã, Ana Claudia, em especial, boa ouvinte. Critica e se diverte com o que oberva. Em geral, inicia os seus comentários assim: - Ana Claudia... Além dos famosos salgados, quentinhas, há os espetinhos (de carne, de peixe ou frango empanado, linguiça com queijo qualho), e as pizzas. A lanchonete serve comida caseira, e funciona como pizzaria, nos finais de semana. Há serviço de café da manhã, toratsa, doces, biscoitos, sorvetes, picolés, sucos, refrescos, pães franceses, sanduíches, refrigentantes, cerveja, drinks, milk shakes, vitaminas, sobremesas... Antonieta, limpando as mesas e cadeiras da lanchonete, encontrou um bilhete. Parou. Pôs a mão direita na cintura. Com o bilhete aberto, na mão esquerda, começou a ler. - Antonieta... - Chamou um senhor, mãos dadas com os dois filhos, uniformizados, uma menina eum menino. Antonieta olhou para eles, na calçada, em frente a lanchonete. - Oi, seu expedito! - Cumprimentou Antonieta, smepre sorridente. - Vou levar as crianças para a escola. Avise dona Angela que eu volto para buscar os salgados. - Vai ter festa hoje, seu expedito? - Futebol, Antonieta. - É hoje? - Vou reuniar a família, em casa. - Vamos ter telão aqui, então! Passe aqui, depois. Traga a família. Vamos comemorar! Ana Claudia arrumava o balcão, limpava e organizava os copos, pratos, talheres, distraída. Ligou o ventilador com umidificador, de parede.Fazia calor, era o ínicio da manhã, verão. - Antonieta, seu pai quer falar com você depois que você terminar de limpar as mesas. - Avisou dona Angela, descendo as escadas que davam para a lanchonete. Chegava do segundo andar, aonde morava com as filhas, o filho, espôsa e netos, os pets. Veio já vestindo o avental, colocando a touca, para ir para a cozinha, preparar o almoço, os salgados... Antonieta abanou a cabeça, séria, concentrada no que lia. - Ana Claudia!... - disse, dramaticamente, se aproximando do balcão, o bilhete na mão. Ana Claudia parou o que fazia para olhar para a irmã.Estava acostumada com o jeito de Antonieta, sempre enfática. Tudo era motivo para espanto, riso ou pranto. - Ah! Ah! Ah!...- começou a rir com vontade. - Ana Claudia!... Escute essa!...Ah! Ah! Ah!... A doida da Clamentina deixou um bilhete de amor para seu Genivaldo... O cara mal enviuvou, ela quer fisgar. Quer que eu leia para você?... - Como isso parou nas suas mãos, Antonieta? - Iandagou dona Angela, voltando da cozinha da lanchonete com uma bandeja cheia de frutas, lavadas e arrumadas. - Estava na mesa, mãe! Não sei como ficou ali... Os dois estiveram aqui, ontem, lembra? - Lembro... - Ela tomou um milk shake de chocolate e comeu um cheerburger. Sozinha. Na mesa 2. Esticou os olhos para todos os solteiros que estavam na lanchonete. Nunca vi alguém demorar tanto para comer um cheesburger e tomar um milk shake!... Agora eu sei por quê... E seu Genivaldo veio com os amigos. Sentou na mesa 4. Pediram três pizzas grandes, chopp e batatas fritas, duas porções bem servidas. Seu Genivaldo encomendou congelados, mãe, para uma semana. Arroz, feijão, bife, farofa, molho à campanha e salada de legumes... Pronto para aquecer... Para a semana toda, sete dias, almoço e janta. Esqueci de avisar, mas anotei. Está na gaveta da cozinha. quer que entregue hoje á noite, quando chegar do trabalho. Ele disse que detesta cozinhar. - É um bom cliente. - Comentou dona Angela. - Ana Claudia! Ana Claudia! - Chamou Antonieta, coneçando a rir de novo. Ana Claudia já tinha começado a lavar alguns copos... - Acho que ele não se interessou... Ou esqueceu o bilhete? Ou não leu? Ela não entregou? Ficou com vergonha?... Mas, como foi para na mesa cinco? - Filha, jogue isso fora!... - Eu, não! Uma carta de amor, mãe! Vou colocar no mural da lanchonete!... - Está doida? O melhor cliente do Espetinho? Você vai fazer isso? E dona Clementina? Acha que vai gostar?... - Indagou dona Angela, séria. Pedou o bilhete das mãos da filha, que tentou resistir, e depois picou em pedaços. Entregou para Ana Claudia. - Queime! Senão, a sua irmã cola tudo!... Ana Claudia correu para a cozinha com os papéis picados nas mãos, antes que Antonieta a alcançasse. Dona Angela ficou na frente de Antonieta, para que lea não fosse para a cozinha. - Pôxa!... Eu queria ler de novo!... - Sei!... - Eu podia ter entregado ao seu Genivaldo, junto com os congelados, mais tarde. - Nem pensar, Antonieta! Imagine o que ele iria pensar?!... - Queimei, mamãe... - Murmurou Ana Claudia, baixinho, sem olhar para Antonieta. - Que coisa, hein, Ana Claudia? Nem perguntou o que eu achava disso!... - disse Antonieta, chateada. Voltou a limpar as mesas e cadeiras. - A próxima vez que eu achar algo interessante, vou pensar duas vezes, antes de mostrar para você, Ana Claudia! Wilson, o assistente do espetinho, voltava de uma entrega, com a bolsa térmica e a bicicleta que deixou na calçada. - Seu Genivaldo disse que vem assistir o jogo de futebol aqui. Vai ter telão? - Vai, Wilson. Avise a todos. - confirmou Antonieta. - Voc~e tem que avisar seu pai, Antonieta... - Lembrou dona Angela. - Mãe! Toa partida importante tem o telão no Espetinho! A casa enche... É bom para os negócios. - Vou fazer mais salgados, mais pizzas, mais espetos... - disse dona Angela. - É melhor Wilson sair com o megafone, avisando, no bairro. - Wilson, coma alguma coisa, descanse, depois eu te ajudo a fazer os preparativos e escrever o texto da propaganda, para berrar no megafone. - Disse Antonieta. - Ana Claudia! Ana Claudia!... Vem ver!... - disse Antonieta, correndo para a calçada. Fez um gesto para Ana Claudia, que foi andando na direção da porta da lanchonete, devagar... - Corre! Acho que é aquele ator... Como é o nome dele?... O da novela das seis, Ana Claudia! Você demorou tanto... Só dá para ver ele indo embora... Quem era, hein? O nome, Ana Claudia?!... Eu não sei o nome... Ele não estava namorando a modelo?... Esse povo é rápido! Já está com outra1... Eu namorava ele... Ele nem esperou para me conhecer... ------------

Marcelo Bernardo por Adriana Janaína Poeta (Trecho)

Exemplo de coragem, força de vontade e determinação, Marcelo Bernardo, poeta, escritor, fotógrafo, escultor, editor, capista, desenhista, web designer. Entre os múltiplos talentos e lutas, as poesias e as fotografias que sempre encantam, não apenas no Brasil, mas também mundo afora, Marcelo se destaca pela personalidade, encantador, amável, inteligente, carinhoso. Bom pai, filho, neto, marido, cunhado, irmão e amigo. Grandes batalhas são dadas apenas para grandes guerreiros. Esta máxima ganha aqui o seu real contexto. (Opiniões por Adriana Janaína Poeta, 2012/ Trecho) Aos 17 anos, Marcelo Bernardo sofreu um acidente de moto, numa noite quente do dia 13 de janeiro de 1984, as 18 horas. Foi jogado da moto, a 5 metros de altura. A pedaleira da XL rasgou o seu pé, e ele fraturou o tasso e metatarso. Caiu, entre o meio fio e a calçada, com a bacia e a coluna, a moto tombando em cima dele. A perna esquerda ficou preta pelo impacto, e a direita ficou com as marcas e do próprio asfalto. Fraturou a bacia em dois lugares, esmagou três vértebras, achatando duas. Teve Pneumotórax em 80 por cento do pulmão direito. (o impacto foi tão grande, que o ar que estava no pulmão atravessou os alvéolos e ficou entre a pleura e o pulmão). Sofreu hemorragia interna, perdendo quatro litros e meio de sangue. Teve esmagamento no pé esquerdo com múltiplas fraturas, quebrando todos os dedos, menos um. Não perdeu os sentidos, porque sentiu que se dormisse iria morrer, o que um médico confirmou posteriormente que seria um risco. Ficou quatro dias acordado no Hospital, com muito esforço, para facilitar a recuperação. Foi levado direto para sala de cirurgia. A médica residente chegou a chorar, ao vê-lo urinar sangue, com a bacia fraturada, achando que ele morreria. Pulsaram a barriga em vários lugares, para ver onde havia hemorragia. Encontraram localizada na bexiga, e observaram que, o sangue, também era devido a fratura da bacia. A perna direita estava toda marcada e agarrada com fragmentos do asfalto. Dois residentes usaram duas escovas, (iguais as que usamos para lavar roupas), para retirar parte do asfalto. Um dos residentes costurou a pele do pé de Marcelo, onde havia entrado a pedaleira, apesar do Marcelo ter avisado que se tratava de uma fratura exposta, devido a dor que sentia. O residente achava que se tratava apenas de nervos expostos. Quatro dias mais tarde, já em outro Hospital, precisaram arrancar com pinça a carne morta, sem anestesia, para que sentisse, quando puxassem a carne boa, identificando o que poderia ser retirado, e havia necrosado. No primeiro dia no Hospital, que inicialmente o recebeu, Marcelo avisou que estava com dores na coluna, bacia, pés, pulmões, e os médicos o levaram para tirar raio X. Foi muito doloroso. Quando testaram a sensibilidade das suas pernas com agulhas, ele não sentia nada, nem conseguia mexer as pernas. Somente no quarto dia, começou a senti-las, depois de muitas tentativas e esforço. Por causa da hemorragia interna, durante os quatro dias em que esteve no primeiro Hospital, não podia beber água. Estava na UTI, sem dormir, sentindo dores lancinantes, sem saber se sobreviveria ou voltaria a andar. Todo dia morriam pessoas, ao seu lado. Esticavam as cortinas, e no dia seguinte a cama aparecia vazia. Ele, com 17 anos, sabia que as pessoas não haviam saído das suas camas sozinhas, devido ao estado em que se encontravam. Foi então para o segundo Hospital, o que demorou horas, por causa dos buracos na rua. Dirigiam a ambulância com muito cuidado. Qualquer coisa poderia afetar a coluna, devido as fraturas. Ficou um mês internado, retornou para casa permanecendo na cama, sem poder se movimentar por dois meses. Começou a usar um colete de aço, para poder sentar, dar sustentação à coluna. Não desistia de voltar a andar, apesar do que diziam. Aos poucos, começou a sentar, e depois a usar cadeira de rodas. Três meses usando cadeira de rodas, sem poder ainda fazer a fisioterapia. Perseverando, começou a usar muletas, fazer sessões intermináveis de fisioterapia e acupuntura. Lembrava-se sempre daquele momento quando identificaram as fraturas e a hemorragia, no primeiro dia, e os médicos disseram para o seu pai, na sua frente, que ele não sobreviveria, não passaria daquela noite, e se sobrevivesse, não voltaria a andar. Ele ouviu. O pai, Dr. Rubens, desmaiou com a possibilidade de perder o filho amado e querido. Quando voltou a si, ao perceber pelo olhar de Marcelo que ele ouvira o que os médicos disseram, segurou a sua mão e disse confiante, lágrimas nos olhos: - Filho, você vai sobreviver e voltar a andar. Estou aqui. - Marcelo nunca esqueceu aquelas palavras, e lutou. Cada dia era uma nova luta, nunca desistia, apesar das dores e prognósticos. Ao se recuperar do susto, o pai lhe disse que ele sobreviveria e voltaria andar. Lutou para resistir. Cada dia era uma luta. Usou muletas durante três meses. Em 19 de junho de 1984, no mesmo ano, sofreu outro acidente, desta vez de carro, usando colete e ainda com as muletas. O teto do carro, com o impacto da batida, foi parar no painel, Marcelo foi jogado pelo vidro traseiro. O policial, ao passar pelo local, tentando socorrê-lo, olhou, aquele rapaz com o braço sangrando, de colete e muletas, e disse: - Já foi socorrido? - Não, você demorou a chegar... - Respondeu Marcelo, ainda conseguindo sorrir, apesar da dor. Havia vidro ainda no braço esquerdo, e sangrava, durante alguns dias, no banho, principalmente. Durou quase dois meses, não queria retirá-los no Hospital devido ao tempo anteriormente passado. Mandou confeccionar uma palmilha, para moldar a curvatura do pé, pois quando teve um esmagamento no pé esquerdo, onde se formou um bloco de osso na curvatura, esmagando vasos sanguíneos e criando novos, um processo dolorido. Teve problemas no nervo ciático durante anos, com dores intensas, chegando a recorrer a uma operação espiritual, (cura à distancia). Aliviou um pouco a dor. Sem desistir nunca de voltar a andar, ultrapassando os limites, andando com os pés enfaixados, foi voltando a andar, embora com dores. Este Marcelo guerreiro, capaz de suportar dores, que muitos não conseguiriam, de não se entregar ao medo ou a auto-piedade, mantendo o bom humor apesar dos obstáculos, é o Marcelo que poucos conhecem. Alguém que é capaz de mover mundos pelos amigos, de se indignar e lutar contra as injustiças, de se preocupar e ajudar as pessoas, que sequer conhece, de se incomodar e derramar lágrimas, ao saber que algum inocente sofre, ou é vitima de injustiça. Também se emociona assistindo filmes ou espetáculos comoventes e bonitos, ou quando algum amigo ou pessoa em quem confiava, o decepciona. Nasceu no dia em que se comemora o Dia do amigo, nada mais justo. Uma pessoa de muitos talentos, grande sensibilidade, que preza a honra e não desiste de acreditar na vida, que Amanhã será melhor. O seu sorriso luminoso vence toda tristeza e cada obstáculo que a vida traz. Marcelo não se dobra a tristeza, a maldade ou a dor. É aquela pessoa que tem sempre uma palavra de incentivo, o sorriso e a mão amiga estendida. O que Marcelo não entende, é a maldade humana, esta que existe, mascarada de bondade, a enganação vestida de perversidade. Para quem tem sempre um sorriso, e o sol carregado no olhar, é difícil aceitar que nem todos são transparentes e sinceros, que nem todos tem intenções claras e boas. No mundo existe maldade, inveja, intriga, cobiça, traição. Dos acidentes, que Marcelo superou, voltando a andar, sem nunca ter desistido, ainda existem as lembranças, dores que ainda sente como consequência das fraturas. Em vez de desistir, ele prosseguiu, tentou e conseguiu. Este exemplo gosta de dar, incentivando a todos que atravessam quaisquer problemas, e quem já ouviu seus conselhos, sabe bem: - Nunca desista. Do menino apaixonado por nuvens, arquitetura e paisagens, fotógrafo, pintor, escultor e poeta, editor, capista, web designer, que adora conversar e fazer amigos, que é carinhoso e sempre sorridente, poucos esquecem. Marcelo tem paixão pela vida, pela arte. Estas são apenas algumas batalhas e vitórias que Marcelo Bernardo travou em sua vida, muitas batalhas continuam e outras virão. Certo é que Marcelo não perde o sorriso, não desafina na fé e confiança na vida, nas pessoas e na verdade, não importa o quanto desafie a tempestade ou quantas flechas venham ao seu encontro. Além de menino e poeta, Marcelo é guerreiro. (Trecho de Marcelo Bernardo por Adriana Janaína Poeta) - Pneumotórax é o acúmulo anormal de ar entre o pulmão e uma membrana (pleura) que reveste internamente a parede do tórax. Clube de Leitura dos Poetas Para comprar os livros de Marcelo Bernardo, entre em contato com ele no messenger do Perfil do seu Facebook: https://www.facebook.com/marcelobernardopoeta marcelobernardo.poeta@hotmail.com

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Os invasores por Adriana Janaína Poeta, CPF.:01233034782, Contos/ in A Varanda/ Clube de Leitura dos Poetas/ Todos os direitos reservados..

Os invasores por Adriana Janaína Poeta, CPF.:01233034782, Conto/ Ficção/ in A Varanda/ Clube de Leitura dos Poetas. Todos os direitos reservados. Ilze já tinha reparado que todas as vezes que começava a se preparar para o banho, buscando a toalha, separando as roupas, saboneteira, sabonete, havia movimentação na casa vizinha, um sobrado, e depois no telhado, aberto, com as caixas d'água, fiação e encanamento acessíveis. Tomava o seu banho, quando lavava os seus cabelos, a água descia pelo chuveiro viscosa e fétida, mudando a coloração, adquirindo um tom amarronzado. Os cabelos ficavam mais escuros, empastados, arrepiados, endurecidos. Deixavam vestígios de coloração amarronzada na fronha, na gola da blusa, difícil para lavar. Era preciso esfregar vigorosamente. A pele também sentia os efeitos do que fosse que estivessem inserindo na água, pois causava alergias, erupções, pequenas bolhas vermelhas, coceira, as vezes deixando arredores esbranquiçados, descamativos. Ilze, quando podia, fervia água, tomando banho de balde, impedindo que inserissem, através do encanamento, telhado e chuveiro, o líquido nocivo na água do seu banho. - Eu sei quem faz isso. - Disse Josué, sério. descascou uma banana prata, que retirou da fruteira, na cozinha da prima, Ilze, que visitava. - Sabe? - Indagou Ilze, ansiosa, surprêsa. O primo a visitava, após meses tentando combater os efeitos do que misturavam na água. - Já aconteceu com Estefania, com Eucir, Odair, Ilma... - Completou Josué, voltando a mastigar o novo pedaço de gruta. Sentou-se. Ilze pegou a casca da banana, pôs sobre a pia. Sempre fazia o replantio, a compostagem. Quando não utilizava, doava. - São os invasores. - O quê? - Indagou ilze, enquanto enchia duas xícaras com café, já adoçado, que fizera há pouco. Sentou-se, cada vez mais interessada. - Eles querem a casa, Ilze. Com certeza, desjam que você morra... Mas, primeiro, tentam causar desconforto, alergias, problemas... Por exemplo, danos elétricos, hidráulicos, mofo, vazamentos, infestações de insetos, além de inserção de germes, bactérias, via aérea ou pela água. - Josué... - Aumente os muros. Instale cãmeras, com sensores, arame farpado ou cerca serpentina... Não esqueça as placas, avisando. Tenha gatos ou cachorros, ou ambos. Instale, neste caso, também, as telas curvas, que impedem que os gatos fujam, correndo riscos nas ruas. Há muita gente fazendo maldades com os animais. Essa gente tortura e mata pets, qualquer animal, aliás. Tendo cachorros, deixe numa varanda, com ventilação, proteção contra o sol, a chuva... É preciso poroteger os pets, do acesso dessa gente, sabe? Por isso, grades e porta gradeada, com tranca, nesta varanda coberta. Água, ração, acolchoados impermeáveis, potes com suportes, tudo sempre bem limpo, abrigado. Um espaço para servir de banheiro para eles, sempre limpo. Os animais escutam qualquer ruído, e dão o aviso, deixá-los expostos, é tolice, porque essa gente mata os animais, envenena. Basta cuidar bem deles, mantê-los abrigados, local ventilado, alimentados, hidratados, em espaço seguro, com câmera. Os gatos, por exemplo, até mesmo os cachorros, há quem deixe dentro da casa, ensinando aonde podem fazer as necessidades, para manter tudo organizado na rotina da casa. Os animais tem sentimentos, são seres vivos. Sentem saudade, solidão, dor, medo, frio, calor, fome...É preciso castrar, vermifugar, desparasitar, cuidar, alimentar, hidratar, limpar seus ítens, ter uma cama limpa, seca, confortável, ficar abrigado do sol, chuva, e dos perigos. Há quem maltrate, envenene, mate os animais. Quer saber se há perigo ao redor? Observe. Eles percebem tudo. Prima, as vezes os invasores não vem fisicamente. - Como assim? - Os invasores fazem viagens astrais, projeções mentais. A Ciência já comprovou a possibilidade. Os animais percebem, e por isso, os invasores não gostam dos animais no local. Deve ser o magnetismo. Além de perceber, atrapalha, seja o que quer que os invasores queiram fazer. - O quê eles fazem... Nessas viagens e projeções? - Podem sussurrar coisas, ao seu ouvido. Imitam a voz, sua ou de quem você confia, até de falecidos, ou de quem está contigo, no local, e nada sabe do que ocorre. Assim, instigam brigas, causam depressões, triztezas profundas, dúvidas, falsas certezas. Também podem, sob certas circunstâncias, causar barulhos, derrubar coisas, batidas em objetos, portas, portões, janelas, móveis... Até empurrar pessoas, pets, objetos... Puxar cabelos, causar arranhões, arroxeados, vermelhidões, por agressões deles... E a vítima acha que está vendo coisas, enlouquecendo... Se contar para alguém, podem achar isso. Poucos sabem que é possível, que há quem pratique essas abominações. Hoje em dia, está mais difundido, há mais indivíduos exaurindo o seu própio Chi, insubstitível, não pode ser reposto... Para causar danos aos alvos. Estão ferrados agindo assim! Cada ser nasce com uma cota, individual, de energil vital, para experienciar, evoluir, viver neste mundo. É única e diferente para cada um. Mas, a maioria não sabe, ou não se importa, e quando precisar, devido a uma doença, um acidente, não terá o Chi que precisa. - Isso é possível? - Ilze, estou resumindo para você. Sim, é possível. Fazem por luxúria, vingança, cobiça, as vezes apenas por cissmas ou treinamento... Estão se condenando, mas não sabem, ou não ligam. Além dos danos físicos, diretos, elétricos, hidráulicos, etc, há estes, que também produzem efeitos físicos, indiretos. Em geral, agem em grupo. Estudam os alvos, e quem está ao redor, até mesmo os que fazem parte do grupo podem se tornar alvos. Uns estudam aos outros. Os objetivos são ruins, então ninguém fica a salvo, nem os comparsas, nem os familiares e conhecidos, vizinhos, dos comparsas. São sedutores, gostam de plantar pessoas, facilitadores, por meio de mentiras, chantagens, falsos ganhos... Não gostam de água, vinagre, azeite, alho, sal, no ambiente. Use bastante alho na alimentação. Borriche água com sal e vinagre no ambiente, use na limpeza... Mata germes, purifica o ar, o ambiente. Cuidado com quem entra na sua casa. Coloque sinos nas maçanetas das portas da entrada e da cozinha, do lado de dentro. Ponha grades e telas nas janelas. É bom gradear e colocar uma porta, gradeada, com tranca, no telhado, para evitar o acesso, e câmera, com gravador de ip, bateria, sensor de presença. Beba apenas água fervida, ou bem filtrada, ou mineral de boa procedência. Magnésio, potássio, vitamina C, D, B, cálcio... Vão ajudar a manter a saúde. Alongue o corpo, todos os dias. Mantenha a casa bem ventilada. Tome sol, dez minutos diários bastam. Estão agindo criminosamente. Sabem disso. Josué encheu, mais uma vez, a xícara com café. Ilze levantou-se, e foi até a janela da cozinha, pensativa. Olhando para fora, o quintal, viu de soslaio, uma cabeça abaixando, apressada, atás do muro, na casa ao lado, a esquerda. Lavou a xícara, vazia. Enxugou, com o pano de prato, que ela mesma bordou e no qual fez o bico de crochê... --- Enquanto digito, invadem o sistema e inserem erros gramaticais. corrijo quando percebo. -------

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Zumbi Adriana Janaína Poeta CPF.:01233034782 Todos os direitos serservados (Ópera rock/ roteiro teatro)

Zumbi Adriana Janaína Poeta CPF.:01233034782 Todos os direitos reservados (Ópera rock/ roteiro teatro) I Zumbi O que é? O que é? Gosta e não gosta! É preciso ouvir alguém dizer! Alguém mandar! Alguém pressionar, elogiar, para gostar!... O que é? O que é? - Eu não sei para onde devo querer ir!... - Eu quero o quê? Me diz! Me diz! O que é? O que é? É agora ou depois? Você fala e logo penso, é ali! É agora! É assim! O que é? O que é? Para querer, é preciso saber o que o outro quer e diz... Quero e digo: sim! O que é? O que é? Se digo ou espero que alguém aprove o que faço, o que penso, o que digo, o que quero, ou não quero, devo fazer?!... Zumbi! Zumbi! Um zumbi! II Falta o recheio. O que aconteceu com o mundo? Estava tudo bem... Lembra? Agora tem zumbi, zumbi! Aqui, ali... Não!... Quem não é, está destoando! Quando acaba a moda zumbi?... Quem não é, é o insano! O zumbi é ser humano... Marionete! Mamulengo! Sombra se movimentando... Olhos parados, arregalados! Vidrados! É tão estranho!... Repete! Ventríloquo, o que o outro insano, sussurra ao ouvido!... Repete! Ventríloquo, o que o outro insano, ordenou, sugeriu!... Ali, vai um! Vem outro! Aquele ali! Zumbi! Zumbi! Já sei! Eu já sei! E se eu fingir ser um zumbi? (Não dá!) O zumbi não tem cérebro! Falta o recheio na cabeça, em cima do pescoço!... III Tem aí, do seu lado?... Olhe pela janela! O quê você vê passando?... Olhe ao redor, quando na rua estiver caminhando... Cuidado! Olhe bem! Estão se multiplicando!... Os ombros quadrados, os braços caídos, distantes dos corpos... Ferozes, ruidosos, os zumbis, estão por aí!... Cuidado! Há muitos assim! Tem aí do seu lado?... (Manchetes...) .O Manual do zumbi! .Pizza à moda zumbi! .Sopa para zumbi! .O Jornal do zumbi! .Venha! Ser zumbi está na moda! .Zumbi não pensa! Pensar para quê?... Zumbi! Zumbi! Eu já sei! O que o outro diz é o que é preciso fazer, pensar, ser, ter! O resto não dá nem para imaginar, porque zumbi é o que há!... (Finaliza o musical, canto e dança, inicia o texto) Um prédio, núcleo principal, residencial. Outro prédio, em frente, comercial. Vidraças, na portaria do prédio residencial. Grades, na portaria do prédio comercial. Esquina com a praia. Rua de pouco movimento. IV Branca tropeçou, subindo os poucos degraus, após o porteiro abrir o portão social, na direção da portaria. - Droga!... Quase quebrei o meu dedo!... - Reclamou Branca. Acabara de fazer as unhas, no salão de Beleza, na rua principal. Deixou cair as chaves do seu apartamento. Abaixou para pegar as chaves... - Branca! O que você está fazendo?... - Perguntou Cleverson, de terno e gravata, sorridente. Branca olhou, demoradamente. Ficava sempre sem palavras, admirando a beleza do vizinho... O cachorro de Paula começava a lamber os seus pés. Branca o pegou no colo, já não se importava com as unhas.Não tirava os olhos de Cleversosn... - Branca, você foi ao salão? - Perguntou Paula, sua amiga, também era moradora do prédio. - Não ía me chamar? Eu queria ter ido também... Branca fez que sim, depois que não, com a cabeça... É que seus olhos estavam grudados em Cleverson... - Tchau, meninas! - Despediu-se Cleverson, saindo pelo portão social, para pegar a carona com o primo. Trabalhavam no mesmo escritório, no centro do Rio de Janeiro, moram em Niterói, município ao lado, no mesmo estado.Era o dia de seguirem para o trabalho no carro do primo. Revezavam. - Branca, disfarça! - Disse Paula, beliscando a amiga. - Que coisa! Não pense que ele não percebe!... Acho que ele gosta dessa atenção... Mas, você precisa disfarçar... Assim assusta o Cleverson! Parece que ele é uma bomba de chocolate, açucarada, com baunilha no recheio, e você vai devorar!... - Eu gosto de olhar! Até esqueço que estou aqui!... - Branca, por que não convida ele para ir ao cinema? Ou jantar? - Eu? - Daqui a pouco, ele arruma outra namorada!... - E a Noêmia? - A ruiva? Já era!... - Por quê? - Indagou Branca, interessada, ainda com Chocolate no colo. Foram saindo do prédio, pelo portão social. Branca pretendia trocar de roupa, para ir até a locadora de vídeo, depois, iria para a academia, mas queria saber o que aconteceu entre Cleverson e a namorada ruiva. - Ela saiu do apartamento dele... Chorando. - Chorando? - Chorando. - Por quê? - Bom... Eu não fico prestando atenção na vida dos outros... Mas... É meu vizinho! - Paula... Ele mora dois andares abaixo do seu apartamento! - Eu sei! Mas, eu estava passando... Bom.... Ela desceu as escadas chorando. - Por que não pegou o elevador? - Eu vou saber, Branca?! - Eu perguntava! - Então, a ruiva desceu as escadas, chorando, pisando firme... - Como assim? - Feito criança, sabe? Quando está muito chateada. - Nunca fiz isso. - O quê? - Isso. - Chorar? - Não, Paula!... Bater os pés... Andar assim. Nunca fiz. - Não? - Não. - Nem quando estava chateada? - Não. - O que você fazia? - Nada. - Como assim? - Eu era a mais velha, Paula! Você não faz birra quando é a mais velha! - Não? - Não. - Por quê? - Eu sei lá! Pergunte para qualquer irmã ou irmão mais velho. Acho que nenhum faz birra. É como um protocolo, sabe? A birra fica para os caçulas. - Bom, a ruiva deve ser caçula. - Pode ser. - tem cara. - A ruiva é bonita! Eu vi! Detestei!... - Então, após três lances, e três portas de aço, abertas com violência e pressa... - Você seguiu a moça, Paula?!... - Como eu poderia te contar, se eu não fizesse isso?!... - Foi por mim? - Por quem mais? - Não sei!... Pelo Cleverson. ele tem queda por ruivas. - Você acha? - Paula! Eu vi primeiro!... - Mas, você não é ruiva!... - Eu pinto os meus cabelos, se ele quiser!... Não sei se fico bem. Minha vó vai ficar brava... Mas, se Cleverson pedir, eu pinto! Fico ruiva!... - A ruiva sentou. - Aonde? - No degrau. - Para quê? Chegaram ao outro prédio, em frente ao residencial, aonde moravam. Branca seguiu Paula. - O elevador... - Disse Paula. O elevador chegou. Entraram. O casal que morava no décimo andar, no mesmo prédio em que elas moravam, estava ali, de mãos dadas. Sempre andavam assim. Era bonito ver. - Boa tarde, seu Murilo e dona Tércia! - Cumprimentou Branca, sorrindo. - A ruiva sentou no degrau. - Cochichou Paula. - E depois? - Não sei. - Como não sabe? - Fiquei com vergonha de perguntar. Passei direto. Mas, desde então... Nunca mais a vi. - Quando foi isso? - Ontem. - Ontem, Paula?!... - Gritou Branca. Chocolate, assustado, latiu, Murilo e Tércia, se abraçaram, temerosos, como se o mundo fosse acabar... O elevador parou. Paula saiu, com Chocolate no colo, seguida por Branca. Seu Murilo e dona Tércia, deram graças a Deus! - Gente barulhenta! - Reclamou dona Tércia. - Para quê gritar assim? Quase tive um troço! - Disse seu Murilo, levando a mão ao coração. Paula e Branca não perceberam. Chocolate estava agarrado ao braço de Paula, com medo de Branca. detestava gritos. Estava quase cochilando... - Ontem! Ontem não conta!... - Por que não? - Se fosse no mês passado!... - Mas, na semana passada, nós duas os vimos juntos, Branca! - Eu sei!...Não posso sonhar?!... - Pode! - Então?... essa ruiva já está com ele há dois anos. - Um. - Um? - Certeza. - Como você sabe? - Marquei na folhinha. - O quê? - Por você, amiga!... - Não estou gostando disso, Paula! Você está noiva! - Não posso sonhar? - Com o Cleverson, não mesmo!... - Por quê? - Já tem a ruiva e todas as mulheres dos prédios da rua! Só vejo a mulherada esticando os olhos, suspirando, para ele!... E o Cleverson mora ao lado do meu apartamento... - Você está esperando o quê? - Eu? - É! - Mas... - daqui a pouco, ele casa! - Com a ruiva? - É! - Mas, você não disse que a Noêmia chorava, no degrau, ontem?... - Disse. - Então... Como o Cleverson vai casar, se já brigaram?... - Sei lá! Pode acontecer!... - Não pode, não! Cleverson é o noivo que eu escolhi! - Ele sabe? - Vai saber, depois do casamento! - Qual casamento? - O nosso!... Chegaram ao dermatologista. - Você fica com Chocolate, enquanto eu falo com o doutor? - Fico. Chocolate, ressabiado, demorou, mas aceitou ficar no colo de Branca. Pouco tempo depois, voltavam para o prédio onde moravam. Já era noite. - Acho que você deveria procurar outras opções. - Disse Paula. - Para quê? - Namorado, Branca! O Cleverson pode reatar o namoro com a ruiva. - Tenho esperanças. - Você tem esperanças? Tá bom!... - Que barulho é esse?... Chocolate pulou do colo de Paula, e subiu, correndo, os degraus de entrada do prédio, até a portaria, assustado. - O que deu nele? - Indagou Branca. - Sei lá!... - Disse Paula, correndo atrás dele. Chocolate arranhava as portas da entrada do elevador, desesperado. - Que pressa!...Será que é sede? Fome? - O banheiro?... - Indagou o porteiro, enquanto separava a correspondência. Branca continuava parada, no início da escada da entrada do prédio, portaria... Olhava na direção direita da rua... Seus pés congelaram, pelo medo que sentiu... Viu pessoas correndo, chorando, gemendo, algumas com partes das roupas rasgadas, ensanguentadas, feridas... Na direção da praia ou do prédio... V - Vem, Branca! O elevador chegou... - Chamou Paula. Chocolate entrou, apressado. Foi para um cantinho, encolhido e tremendo. - O que foi, Chocolate? Espere até chegarmos ao apartamento... - Corre! - O quê? - Corre! - Para com isso, Branca!... - Pediu Paula, rindo. Branca, pálida, correu como se fosse doida, sem tropeçar nos degraus. Fechou a porta de vidro da portaria, puxou o vaso com os coqueiros anões, a lata de lixo, sem fôlego, pôs atrás da porta. - Corre!... Seu Lucídio... Chame a polícia!... - O que foi? - Perguntou seu Lucídio, o porteiro, deixando de lado a correspondência e se aproximando da porta. - A senhora não pode fechar a portaria assim... E os outros condôminos? E o síndico? Vão chamar a minha atenção... - Abre! Abre! Abre! - Abre! - Abre! - Abre! De um momento para o outro, cinquenta pessoas, sacudiam os portões, tentando acessar o prédio. Mulheres, homens, de vária sidades... Branca e Lucídio recuaram, alguns passos. As pessoas começaram a escalar os muros, de vidro, como os portões, com as vigas de alvenaria... Caíam, rastejavam, pulavam... Foram chegando mais pesssoas, todas pareciam alucinadas, enlouquecidas, desesperadas... Seu Lucídio e Branca foram puxando o mobiliário... Não falavam nada, apenas agiam... Sofá, poltronas, mesinha, até o carrinho da limpeza... Quando todo o mobiliário da recepção e portaria, estavam travando a porta de vidro, seu Lucídio lembrou que não passara a chave. - Eu esqueci de passar a chave... - Agora? vamos, seu Lucídio!... Parte da visão de fora, estava obstruída pelos móveis empilhados.Ouviam os gemidos, gritos, choro, grunhidos, arranhões no vidro, socos e pontapés... Correram para a mesa da portaria... Pelos monitores, viram que as cinquenta pessoas, agora eram trezentas. Estavam como em um transe dinâmico, olhares esbugalhados, vazios... Os braços, quadrados, afastados dos corpos, quando não socavam portas, paredes, uns aos outros, ombros alteados. Então notaram que todos os interfones tocavam, ao mesmo tempo, leds vermelhos acesos e piscando. Branca e Lucídio, na tentativa de proteger a entrada, não tinham ouvido nada ao redor. Os que estavam do lado de fora, pareciam ter enlouquecido. Começaram a urrar, esmurrar com mais força os vidros da portaria, tentando entrar... Seu lucídio e Branca correram para o elevador... Mas, Paula, subrira, com Chocolate... O elevador de serviço estava em manutenção. Seu Lucídio puxou Branca, que socava as portas fechadas que dava acesso ao elevador de serviço, desesperada, chorando e gritando. Correram para a porta de aço que dava acesso para as escadas. Branca demorou a entender, mas logo entendeu que era o único caminho. O telefone celular de Branca começou a tocar... era Paula. O barulho do celular parecia aguçar mais a loucura dos que estapeavam e forçavam os vidros da portaria... - Seu Lucído, o snehor trancou as portas de acesso do primeiro lance das escadas? - Não tem como. - O quê? - São acessos para emergências. Não tem chaves, travas!... - Não? Ai... Ouviram o estrondo das vidraças semdo quebradas, partidas...Passos e tropeços, gritos, gemidos da multidão que agora acessava a portaria. - Atenda ao telefone! - O quê? - Atenda ao telefone! - Alô? Paula? - Sobe logo! - O que aconteceu? - Está na tv! Na internet! No rádio! O meu telefone não para de tocar!... - O quê? Branca e Lucídio íam subindo os lances de escadas, abrindo as portas pesadas de aço, e já estavam sem fôlego. Seu Lucídio, nervoso, tremia, mas tentava aparentar ter o controle da situação. - Calma, dona Branca! Calma... - Repetia seu Lucídio, vez por outra. - Zumbis! - Berrou Paula, pela primeira vez, demosntrando o seu desespero. Branca ouvia os latidos de Chocolate. - O quê? - Estão dizendo... estão dizendo... - Fala! Fala! - Que há uma invasão de zumbis! - Paula, isso não existe!... - O que você viu? - Indagou paula, nervosa. - Daqui, eu vi o que eles fizeram, na frente do prédio, entrando... Enlouquecidos, furiosos, violentos!...Os olhares! Os olhares... A ligação caiu. - Sem sinal! Seu Lucídio... Sem sinal no celular!... - O que vamos fazer? - Indagou seu Lucídio, agora com lágrimas nos olhos. - Calma... Vamos para o aprtamento da Paula. fica mais acima, é seguro. As portas são de aço. - Disse Paula, comovida com o estado do seu Lucídio, com voz mais serena, embora continuasse apavorada. - Acho que... Quanto mais longe da poratia, melhor. O senhor vem comigo. - O quê é isso? O quê é? - Não sei... Paula disse que são zumbis. - Zumbis? - Na tv, rádio, internet... Estão dizendo isso. - Não é uma bricadeira? - Invadindo prédios? Quebrando vidraças? - Mas... Zumbis não esxistem! - Eu disse isso, seu Lucídio! Para Paula! - O quê ela disse? O quê ela disse?... Barulho! tentavam abrir a primeira porta de aço, a que dava acesso para as escadas... Como todos tentavam, ao mesmo tempo, era difícil abrir... Abriram a porta...Correria, urros, gritos, gemidos, choro, tropeços, passos... Parecia uma manada de elefantes, estourando. Branca e seu Lucídio íam subindo os lance sde escadas, sem fôlego, suados, trêmulos. Fechavam as portas, na tentativa de ter a esperança de dificultar o acesso para os invasores... Chegaram ao andar do apartamente de Paula. - Espere... E se tem algum deles no corredor? - indagou seu Lucído, pondo-se na frente da porta de aço. - Fale baixo! - Pediu branca, cochichando. - Acho que os zumbis não gostam de barulho!... - Eu quero que ele sse lasquem!... - Seu lucídio! - Vou abrir, com calma. Se tiver um, no corredor, subimos, correndo, para o andar de cima. - Não aguento... Subir mais... - Se um deles correr atrás de você, você sobe... - disse seu Lucídio. Entreabriu a porta, sem fazer barulho. Branca foi logo metendo a cabeça, apressada, depois o braço, a cabeça...A perna... Ganhou o corredor! Fez sinal, com as mãos, para seu Lucídio, para que ele a seguisse. - Paula... - Murmurou Branca, diante da porta do apartamento da amiga. - Ela não vai ouvir assim... - Disse seu Lucídio, apertando a campainha, para o desespero de Branca, fora do apartamento, e de Paula e Chocolate, dentro do apartamento. - Quem é? - Indagou Paula, junto a porta. Chocolate não parava de latir. - Paula! Você tem olho mágico! Abre! - Quem é? - Sou eu, Branca! E seu Lucídio! Abre! - Como vou saber que você e ele não são agora zumbis, como eles? - o quê?!... Essa porta de aço já estava no chão, como a sua cara!... Abra a porta, Paula!- Berrou Branca, indignada, batendo s punhos e pés contra a porta. Paula abriu a porta, chateada. - Branca!... Voc~e queria quebrara aminha cara, amiga?... Branca entrou no apartamento, puxando seu Lucídio. Chocolate correu para se enconder, no quarto. Paula terminava de fechar a porta com a chave, quando Branca a puxou, para que ajudasse a ela e ao seu Lucídio, enquanto puxavam toda a mobília possível, para traz da porta. Fizeram o mesmo, atras da porta da cozinha. Fecharam as janelas e basculhantes, com os trincos. Não tinham mais forças. No meio da ação, seu lucídio, exausto, foi sentar-se, no sofá, diante da tv ligada, ofegante. Viu as imagens na tv... Acontecia no mundo todo. Pessoas invadiam casas, apartamentos, escritórios, prédios públicos...Não gostavam de animais, de água, iluminação, sons... - As cabeças! - Berrou um homem que passava pelo repórter, correndo, em um campo aberto. Parecia que algumas pessoas, inclusive a equipe de um conhecido jornal,foram pegos numa avenida, próxima, por um amultidão de zumbis. Era impossível seguir de carro. Saíram dos veículos, correram, até chegar a uma propriedade, com vasto terreno, arborizado, parte a céu aberto, aonde estavam, sem iluminação. Procuram abrigo. A equipe de reportagem ligara o equipamento que conseguiram levar, improvisando uma matéria, enquanto corriam. - Ei! Ei!... Repita! O que você disse? - Indagou o repórter, correndo atrás do homem, no meio dos outros que buscavam abrigo. - as cabeças, cara! - Como? Pare um momento! Fale! - Pediu o repórter. todos pareciam exaustos, aterrorizados. O homem desacelerou os passos, ofegante. Era jovem, alto, cabelos castanhos, cavanhaque. Usava trajes esportivos. - O quê quis dizer? - Eu já li... Já vi... Nos filmes!... - O quê? - São zumbis! Temos que cortar as cabeças, entende?... Urros, gemidos. De várias direções, chegavam centenas de zumbis, correndo, como se fosse o fim do mundo. O repórter olhou par a câmera, a imagem saiu do ar, como o canal de tv... Seu Lucídio levantou. Foi até a janela, devagar, a boca aberta, os olhos cheios de lágrimas. Fechou as cortinas, checou se as janelas estavam trancadas... Não quis olhar para baixo. No prédio, em frente, comercial, foi mais demorada a invasão, porque as portas eram gradeadas, como os portões, mas estvama invadindo. Haviam quebrado o que podiam. Subiram até o sexto andar... Paula segurava os joelhos, sentada na poltrona, chorando. Branca segurava o crucifixo que havia no cordão de ouro, que trazia no pescoço. Rezava. Paula, ainda apavorada, foi até a janela. Quis abrir, mas Lucídio e Branca não deixaram. Então, olhou, afastando um pouco as cortinas... Os zumbis subiam os outros andares do prédio comercial, em frente... A rua estava tomada... - O quê vamos fazer? - perguntou Branca, desesperada. - Resistir. - Disse seu Lucídio, pensativo, ainda tendo lágrimas nos olhos. - O quê? - Indagou Paula. - Vou ver meu Chocolate!... Se eu estou com medo, imagine ele!... - E se eles subirem até esse andar? - Não pense nisso, dona Branca!... - E se aprendem a escalar? Como as aranhas, as baratas?... E tentam entrar pelas janelas? Seu Lucídio!... As janelas são de vidro!...Vamos, me ajude!... Branca e seu Lucídio checaram cada janela e basculhante, travaram como puderam, todas, com móveis. Depois foram ver Paula... Estava encolhida, na cama de casal, luzes apagadas. Colocara Chocolate na casinha de transporte, com a manta e alguns brinquedos. Assim ele ficava mais tranquilo, sentia-se mais protegido. - Paula!... Paula... - O quê? - Temos que fazer alguma coisa! - Branca... Fazer o quê?!... - Não sei! Ligar para a polícia!... - A polícia? - O exército!... - O Exército?... - A Marinha, a Aeronáutica, os Bombeiros!... Alguém tem que vir ajudar a gente!... - Já deu uma olhada pela janela? Carro nenhum passa pelos zumbis! As ruas estão tomadas! Seu Lucídio, olhar cansado, andava em círculos, dentro do cômodo. - Seu Lucídio... O senhor não vai virar zumbi, né?... Seu Lucídio... Não fique aí, caladão... esse olhar... Isso assusta a gente, né, Paula?...Seu Lucídio... Fale alguma coisa... Não vai urrar, nem gemer, como eles, vai?... Diga algo, seu Lucídio!... Algo que gente diz... - Eu não sou zumbi!... - Disse seu lucídio, aborrecido. - Andar me acalma! - Ah!... Tá bom... - Ande, seu Lucídio! Continue calmo... - Se for virar zumbi, avise! - Basta um sinal. - Qual? - Paula!... Qualquer um!... Um sinal de zumbi, Paula!... - Isso existe? - Sei lá! - Não... Vamos estabelecer isso, agora... - O quê, Paula? - Se algum de nós sentir que vai virar um zumbi... Vai levantar o braço. Bem alto. - Qual? - O quê? - Qual braço? O direito ou o esquerdo? - Tanto faz! Escutou seu Lucídio? Se sentir que vai virar um zumbi... Ficar estranho... meio quadradão... Braços e ombros assim...Aquela coisa esquisita!... Os olhos inchados, botocudos... Começar a dar vontade de gemer, urrar... Pular, arranhar...Bom, o snehor já sabe!... Levante um dos braços, acima da cabeça. Qualquer braço, esquerdo ou direito. - Seu Lucídio? - O quê? - de vez em quando, o snehor fala alguma coisa. Eu e paula falamos pelos cotovelos. O senhor é caladão...Nesse momento, isso vai assustar a gente. - Ora!... O quê eu vou fazer?! Eu sou assim! - Tá bom!... Faz o que o senhor quiser. Não virando zumbi, tudo bem!... - Por favor, zumbi, aqui dentro do apartamento, não!... - E o zumbi, hein, Paula?...se eu fosse zumbi... O primeiro que eu ía provar era o Chocolate!... - Não brinque com isso! Pensei a mesma coisa! Por isso coloquei ele na caixinha. O meu Chocolate é menino. trato ele assim! E ele entende tudo, inclusive o que você está dizendo. Qualquer animal sente e entende tudo, sabia? Dor, frio, medo, calor, fome, solidão, saudade, tristeza...Chocolate, a tia Branca está brincando, hein?!... Está tudo bem! - E se isso demorar a passar? - O quê, seu Lucídio? - Se demorar dias... Essas coisas! Urrando e gemendo, destruindo tudo! Esperando a gente sair, ou conseguirem abrir ou arrombar as portas?!... - Bom... Eu tenho um estoque de comida congelada... Acabei de comprar ração, patê, água mineral e de coco, biscoitos, para o meu Chocolate! Podemos resistir, por algum tempo. - E a Polícia? - A Polícia? - O Exército?... A Marinha, a Aeronáutica, os Bombeiros!...Sei lá!... Alguém tem que dar um jeito, né?! - Como? - O moço... Na tv!... - O quê, seu Lucídio? - O moço, na tv... Disse que era preciso cortar a cabeça do zumbi. - A cabeça? - Ele disse! - Mas, tem que ser a gente? Nossa1... quem vai chegar perto de um desses? Trezentos deles correndo e avançando na nossa direção?... - Eu, se precisar... Vou para cima do mais forte. - O quê? - Não são zumbis? Não são invasores? Eu vou analisar, rapidamente, quem comanda ou quem é o mais valentão. Assim, elimino o chefe da zumbilândia! - E o resto? O resto, Paula? - Deixo para vocês. - Tá bom!... E Chocolate? Vai deixar o chocolate, sozinho, para pegar o zumbizão? Tá bom!... - Se preciso defender a mim, ao Chocolate, vou pensar assim! - Com tudo o que colocamos nas portas e janelas... É impossível que entrem aqui! - Vou tentar o rádio! - Disse Lucídio. - Você tem um, dona Paula? O meu está na portaria... A Tv, a internet, os telefones... Estão fora de serviço... A rádio... Precisamos tentar... Escuto o futebol ali. A senhora tem?... Precisamos de notícias... - Tem um, na cozinha, perto do armário e da pia. O senhor fique à vontade. Coma algo, seu lucídio. - A tv saiu do ar... - Bom... Não tem mais internet ou telefonia funcionando... - Parece filme de terror!... - E Cleverson?... Meu deus, e Cleverson, Paula?!... - Brnca!... - Cleverson... Eu nem consegui dizer um tchau... Se eu fosse zumbi, ía atrás do Cleverson!... - O quê? - Ah, você não?... Se eu tenho que pegar alguém, vou atrás de um Cleverson!... Ora... - Branca, você diz cada coisa!... - Não posso morrer, sem que Cleverson me peça para ficar ruiva para ele!... - Cleverson está bem! - Não! - Deve ter ligado para Noêmia. - O quê?... - Nessas horas... A gente sempre faz as pazes... É o fim do mundo, não?... - Cleverson! Cleverson! - Gritou Branca, correndo na direção da janela do quarto, que ela mesma trancara. Paula correu, a impediu de abri-las.- Cleverson! - Repetiu, baixinho, chorando. - tanto tempo te olhando, sonhando!... Vem uns zumbis, sem vergonhas... Bagunçam tudo! Não é justo!... - Calma! Calma! - Como vou me acalmar? Essas coisas podem invadir o apartamento, a qualquer momento, Paula?!... - Não vão! - Não? - Não. - Você promete?... - Prometo! - Então, tá! O que tem para o jantar?... Nessas horas, me dá uma fome!... - Comida congelada. Pronta para aquecer. - É boa? - Uma delícia. - Parece prático. - E bom. - O que tem para escolher? - Vamos para a cozinha. Vou levar Chocolate. Ele vai comer o seu patê preferido, e beber água de coco! - Eu queria uma caixinha dessas, igual ao do Chocolate, para eu ficar! Chocolate... Não saia daí!... - Pare de assustar o meu Chocolate!... - O quê?!... - Já disse! O meu chocolate é menino. Entende tudo!... - Cleverson!... - Esquece o Cleverson, agora. Pensa na comida! - Os zumbis estão pensando na comida, Paula! Somos nós! Estou com medo de você, Paula!... - Mas, você não disse que estava com fome?... - Estou! Mas, estou nervosa!... É muita coisa para pensar!... Comida... Cleverson... Zumbis... Que dia para isso acontecer! No dia de semana, Paula! Não é nem final de semana!... Se fosse... - O quê mudava? - Sei lá! Mas, no final de semana, você fica preparada para tudo! Qualquer novidade! Durante a semana... Bom... Só a rotina. - Vamos. - Jantar? Tá bom! Estou com fome. ---------------------------- Enquanto eu digito, incluem erros gramaticais, atrapalham a minha digitação, invadindo o sistema.

sábado, 25 de outubro de 2025

(Contos) O Sexto Andar Por Adriana Janaína Poeta / CPF.:01233034782/ Clube de Leitura dos Poetas Todos os direitos reservados.

(Contos) O Sexto Andar Por Adriana Janaína Poeta CPF.:01233034782 Clube de Leitura dos Poetas Todos os direitos reservados. José ajeitou a jaqueta de couro, preta, pegou a mochila, na moto, tirou o capacete, olhou ao redor... A rua, moviventada, parecia o caos. ônibus, caminhões, motos, bicicletas, vários veículos... Pessoas... Muitas... Quantas pessoas! Parecia que todos, na cidade, decidiram andar nas ruas, naquela manhã de segunda-feira. - Eu sempre gostei da segunda-feira! - Disse Tomé, riscando um fósforo de um hotel barato, para acender o seu cigarro. Sorriu, já com o cigarro na boca. Abanou o palito, pensou em jogá-lo no chão. O olhar reprovador de José, o impediu. Deixou esfriar e pôs no bolso, abanando a cabeça. - Sempre o bom moço, José!... - Disse Tomé, ficando ao seu lado. José levantou o dedo indicador, da mão direita, apontando, sem olhar, para o grande outdoor, que havia do outro lado da rua: Campanha nacional...Não jogue lixo nas ruas!..- Diabos, José!... É só um maldito palito de fósforo!... - Tudo começa pequeno. - Comentou José. Estavam na esquina que interligava quatro ruas, movimentadas, no centro da cidade. Ficaram de frente para o prédio, antes às suas costas. Se entreolharam, pensativos. - É aqui? - Indagou Tomé. - José...Eu preciso de um bom café da manhã. Peguei um ônibus interestadual, úmido, frio, cheirando a mofo!... Sabe que eu detesto mofo e janelas fechadas... Bom, foi o que eu ganhei, depois que você ligou para mim. - Porque não tomou o café da manhâ, antes de pegar o ônibus? - Eu funciono melhor à noite. O que acha de começarmos as 12h? - Não. - Por que? - Ele fica mais forte à noite. - Eles!...Eles, José! Você sabe, não andam sozinhos! Revesam, finger ser apenas um. Só os desavisados saem para obsediar sozinhos. (Parte 1) - Por quê? - Indagou José, distraído com seus pensamentos, olhando para o prédio, atentamente. Tomé o olhou, irônico. - É chato! Chega uma hora que cansa... " Eu sou o demônio!'...Dizem. Ou: "Demônio!", repetem, feito insanos, chamando assim a quem desejam assustar, vencer, obsediar, enfraquecer, subjulgar. Perde a graça, faça o o que fizer a vítima, depois de algum tempo. E se há música, tocando, na rádio, aparelho de som, celular... Um desenho animado, um filme, na tv...No blue ray...José, tudo distrai esses caras!... Eu, que fico do lado de cá, fico entediado!... Imagine os que ardem seus Chi, na escuridão?... Os que pagam, com a vida eterna na luz, pelos prazeres menores e o passaporte, só de ida, para a escuridaõ, densa e escura, eternamente?... - Tenho um pacote de biscoitos, água e sal, com gergelim torrado. Quer? - O que isso muda? E o complemento? - Que complemento? - Eu preciso me alimentar bem! Gasto minha paciência, nisso! Preciso estar saciado, não? Ovos, bacon, aipim frito... - Aipim frito? No café da manhã?... - É o meu café da manhã! Iogurte de frutas vermelhas, suco de laranja ou tangerina, pão, queijo, presunto, requeijão... - Enjôo, só de pensar!... - José, nem todo mundo toma uma vitamina, e sai para desfilar!... - Estamos perdendo tempo. - Quem vai ser o bonzinho? - Indagou Tomé, após um longo suspiro, contrariado. - Não me olhe assim! Vou ser o perverso, hoje! Não tomei o café da manhã... - Pode ser o perverso. Não sei se haverá bonzinho, hoje... - Disse José, e os dois foram caminhando, na direção da portaria do prédio. - Aposto que não tem espaço para fumantes, na pocilga!... - Comentou Tomé. Apagou o cigarro, deixou na lixeira, junto com o palito apagado, que guardara no bolso - Aproveite para meditar. - Disse José. (Parte 2) - José, nunca irrite um homem com fome!... Entraram no prédio, José foi até o porteiro, que estava atrás do balcão. - José Sabbatine e Tomé Zina. - Qual andar, padres? - Indagou o porteiro, solícito. - Sou católico, também. Ainda bem que vocês vieram... Tenho medo de perguntar, embora saiba para qual andar vocês ed dirigem... É o Sexto, não é mesmo? - José assentiu, sério. - Padre... Cuidado. - Por que diz isso? - Indagou Tomé, receoso. - Dizem que o andar é mal assombrado. - Como? - À noite, quando o prédio está vazio, apenas a equipe mínima, segurança, limpeza...No andar... Parece que há pessoas, no sexto andar... Sombras... Se movimentando pelas escadas, corredores, salas...Depois, voltam para a portaria. - E para a garagem? - Perguntou Tomé. - Apenas da portaria para o sexto andar. - Então... Temos fantasmas que gostam de usar os transportes públicos!... - Gracejou Tomé. - Bom! Modernos, urbanos... É melhor do que procurar vaga para estacionar... - Não é engraçado, padre! - Disse o porteiro. Suas duas mãos tremiam. Trazia um crucifixo, de prata, no peito. Devia ter pouco mais de cinquenta anos. - Porque suas mãos tremem? - Indagou José, sério. - Há seis meses, não tremiam. - Respondeu o porteiro. - Foi quando comecei a trabalhar aqui... Evito ir ao sexto andar, mas as vezes, é preciso... - O que funciona no sexto andar? - Indagou Tomé. - Contabilidade e Psicologia. - Tem gente, lá? Agora? - Penguntou Tomé. - Tem, padre. Não preciso anunciá-los. sabem que os senhores passarão do dia e a noite aqui. - A noite?... José?... Pensei que fosse só pela manhã... - Começou a dizer Tomé. José fez um gesto, para que se calasse, sem para de olhar para o porteiro. - Qual o seu nome, filho? - Antônio. - Antônio... Tem a Bíblia? - Tenho uma em casa, padre. - Há uma bíblia na portaria? Tomé abanou a cabeça, olhos arregalados. (Parte 3) - É isso que eu digo!- Exclamou Tomé, indo até o bebedouro gelado. - Um prédio desse porte, e não tem a maldita Bíblia!... - Padre, Tomé! - José...Você percebe? Estão doando Bíblias, por aí, como chaveiros, canetas, bonés!...E não tem um livro sagrado, um escudo contra o mal, a luxúria, a pervesidade, neste monte de aço e concreto, cheio de pecados!...- Tomé bebeu um pouco da água, no bebedouro.- Tem um cafezinho? Lamego? Sabe?...Aquelas roscas, deliciosas... - Eu tenho café, na minha garrafa térmica... - Não, Antônio! Padre Tomé está brincando. Guarde o seu café. - Estou?... - Antônio, vou deixar uma Bíblia. Deve ficar na portaria...Pode guardar dentro do balcão. Não é preciso que vejam, basta que esteja aqui.- Disse padre José.Abriu a mochila, e tirou dela uma Bíblia antiga. A capa tinha o título amarelado, dourado, gasto, as páginas manuseadas. - Esta Bíblia esteve comigo durante décadas. Acredita em milagres, Antônio? - Acredito, padre. - Respondeu, Antônio, estendendo as mãos, para segurar a Bíblia. Padre José lançou um olhar rápido para Tomé. - Droga!... - Murmurou Tomé. Entrou, lentamente, dentro do balcão, aonde estava o porteiro, de pé, olhando, fixamente, para a Bíblia, na mão esquerda do padre. - Acredita em Deus, Antônio? - Acredito, padre. - Em Jesus, seu primogênito? - Acredito, padre. Do lado de dentro, atrás do balcão, Tomé investigava tudo, com os olhos, rapidamente. Parou os olhos, surprêso, nas direção das pernas de Antônio. Fez um sinal para José, sério. Fechou a portinhola, o trinco, pondo-se na frente, para impedir que Antônio fogisse. (Parte 4) - Sabe rezar o Pai Nosso? - Indagou, calmamente Tomé. Antônio virou-se, crispando os lábios. - Aonde foi para seus sapatos e calça, Antônio?... Antônio, vestido com cuecas, samba canção, blusa social branca, gravata cinza, estava sem calças, sem meias, sem sapatos. Tinha lama nos pés. O verdadeiro porteiro, estava amarrado, perto do guarda volumes, amordaçado e chorando. - Não devia ser tão enxerido, padre Tomé! - Berrou, Antônio, com olhos, cada vez, mais arregalados, lábios rasgados, no sorriso divertido, embora perverso. Ficou olhando para Tomé e José. A voz, agora, era diferente, mais aguda. Havia escárnio no tom que usava. Tirou a gravata, desabotoou a camisa. - Eu já estava meio cheio de bancar o bom católico!... - Quem é você? - Indagou José, com voz firme. - Importa, padre? - Eu perguntei...Quem é você? - Eu sou a filha da Chiquita, padre!... - Quem é você? -Podemos passar a manhã toda assim, padre!... - Segure, Tomé! Segure!... - Não! - Berrou Antônio, pulando, com apenas um salto, sobre o balcão de mármore negro, da portaria. Parecia acuado, mas ria, sacudindo a cabeça, os cabelos, ralos, ao redor da careca, balançando... - Tomé! - O pior sempre fica para mim!...- Reclamou Tomé, segurando Antônio, enquanto José o impedia de fogir. - Vocês vão se ferrar, padres! Eu só estava brincando, hein?!... (Parte 5) - E agora? - Indagou Tomé, segurando Antônio, que se debatia. - Pode entrar alguém... Leve o Antônio. - Para onde? Não conheço o prédio!... - Pegue o elevador. Vá para o sexto andar. Ao que tudo indica, é lá que ele mora. - Inferno!- Exclamou Tomé, segurando Antônio, o arrastando, até o elevador de serviço. - A minha casa, padre! O inferno! - Cale a boca! José, não demore!... E o que vai fazer? - Desamarrar o verdadeiro porteiro. Deixar a Bíblia, na portaria. Já o alcanço. - Não demore, José! Tomé era um homem alto, corpulento, desajeitado nos movimentos, como todos os que possuem altura acima da média. Era praticante de judô e boxe, portanto, ágil, forte. Antônio era sedentário, do tipo que só assiste tv, estatura baixa. Tomé sabia que Antônio era a vítima. O demônio apenas o usava. (Parte 6) - Padre, ainda não tomou o café da manhã?... Ah, ah, ah....Estão pagando pouco para os que usam batina? - Cale a boca! - Padre, vamos!... Eu pago o seu café da manhã! Deixa esse exorcismo para lá! Você tem mais o que fazer! José não saberá de nada!... - Está tentando me comprar com um café da manhã, seu nada?! Acha que eu sou sua amante?... - É cedo para almoçar, amor!... Padre Tomé olhou para o teto, ainda segurando Antônio, impaciente. Chegaram ao sexto andar. Enquanto isso, sentado na portaria, o homem tinha, nas mãos, o copo descartável, com café quente, que havia na garrafa térmica... Padre Jose enrolou a corda, a mordaça, e deixou dentro do guarda volumes. - O que houve? - Perguntou José. - Essa coisa... O demônio!... Agora está com Antônio!... - O que faz Antônio? - Ele é o paciente. - O paciente? - Vem sempre para aconsulta, semanal, no sexto andar. Faz isso há meses. - Sempre foi assim? (Parte 7) - Na semana passada... Quando subiu, parecia normal. Quando desceu, uma hora depois... Estava estranho. - Como? - Para começar... Subiu calçado, desceu descalço. - Descalço? - Sem sapatos, sem meias. - O que mais? - Sempre foi simpático. Dessa vez, eu disse: Até logo!... Ele rosnou... - Rosnou? - Grrrrrrrrr.... - Rosnou para você. - Não é estranho?... Então, esta manhã... Eram seis horas... A portaria só abre as oito...Mas, como ele é paciente, visitante, antigo...Abri a porta. Ele veio até mim... - Sem calça, descalço e sem as meias?... - Não reparei, na hora. Estava distraído, separando a correspondência... (Parte 8) - E depois? - Veio na minha direção... Parecia um bicho! Não gente!...Fiquei sem reação, tentei fugir!... Ele me agarrou, amarrou, amordaçou! Fiquei assim, padre! Ainda bem que chegaram... - Vou subir. Você está bem? - Estou. - Acha que pode controlar a portaria? - Sim. - Ele te machucou? - Apenas alguns arranhões. - Quer ir ao médico? Posso chamar a ambulância... - Não. Padre José foi até o elevador... (Parte 9) - Tem uma sala reservada? - Perguntou Tomé, entrando na recepção do escritório de contabilidade.Um secretário, sem reação, ficou com o telefone na mão, olhando para Antônio, que se debatia, sem as calças, meias e sapatos. Duas clientes, aguardavam, sentadas, em poltronas deferentes. Ficaram assustadas. - Padre! Vamos embora! Me deixe ir, padre!... Padre!... - Berrava Antônio. - Sou o padre Tomé! Vocês chamaram1 Tem uma sala reservada? Preciso deixar o demônio confortável, se é que me entende?!...- Insistiu Tomé, impaciente. - João, abre logo isso! Deixe o padre levar o demônio para a cozinha! - Orientou Maricota, contadora e administradora, sócia do escritório de contabilidade. João abriu a porta, automática. Tomé entrou, arrastando Antônio. - Para onde? A cozinha, essa hora, é uma excelente ideia! - Disse Antônio, sorridente. - Se me oferecerem um café da manhã, abençôo todos vocês, depois. O que tem lá, de bom, hein?... - A cozinha fica no final do corredor, padre. - Ok! Vamos, demônio!... (Parte 10) - Bom dia. Cadê o padre Tomé e o demônio? - Indagou padre José. - João abriu a porta. - No final do corredor, padre. - O padre Tomé pediu para ficar na cozinha? - É o único lugar disponível, padre. - Tem facas? - Tem... José foi andando, apressado. Encontrou Antônio, amarrado, preso a uma das colunas da cozinha, com parte de um pano de prato na boca. Tomé, sentado, à mesa, comia dois mistos quentes, e tinha uma xícara de café. Maricota contava sobre sua família, mostrava as fotos das filhas, marido, pets. - Padre Tomé... Não sei se a cozinha é o melhor lugar... - Sente-se, padre! Coma um misto quente, beba café... O demônio espera. Está bem quietinho, vê? Precisei improvisar. Este aí rosna! Acho que pensa que é cachorro... Sei lá!... (Parte 11) Padre José sentou-se. Maricota foi preparar dois mistos, serviu café para o padre. Parecia feliz, por tê-los ali. - Ele é paciente. - Disse José. - Você acha? Ele é bem nervoso!... - Disse Tomé. - Paciente do consultório ao lado, de psicologia, padre... - Ah! - Fez Tomé. Virou-se para olhar, de frente, para Antônio. Voltou a devorar o último misto. - Por essa eu não esperava... - Vamos levá-lo para a sala ao lado. Não é bom ficar na cozinha. - Por quê? - Tomé!... Há facas, garfos, frigideiras... Armas, Tomé! Vamos evitar. Tomé deu de ombros. - Agora que tomei meu desjejum, posso dançar e cantar!... (Parte 12) Depois de quinze minutos, estavam na recepção da sala ao lado. - Tem um lugar reservado, para dois padres cuidarem de um demônio? - Indagou Tomé, assim que entraram. - Padre Tomé!... Desculpe o padre Tomé, senhorita...? - Elba... - Respondeu Elba, os olhos castanhos, inocentes, assustados. Era muito jovem, bonita, e ficou visivelmente surprêsa. Antônio, ela conhecia. Era paciente, há seis meses visitando o consultório. - Sr. Antônio?... O que houve? - Esse aqui ainda não é o Antônio... E é! Entende? Qual o seu nome? Ando meio surdo... - Indagou Tomé. - Elba. Vou perguntar para a doutora Eduarda... - Não dá tempo, srta. Elba!... - Disse padre Tomé, arrastando Antônio, atravessando a primeira porta que encontrou. (Parte 13) -- O que é isso?... - Indagou a Dra. Eduarda, levantando da cadeira. A paciente, uma senhora roliça, que usava um vestido floral, vermelho, e uma minúscula bolsa pink, de vinil, combinando com os saltos altos, encolheu-se na poltrona, assustada. - É melhor sair, senhora! - pediu padre Tomé. - O demônio não está para fazer amigos!... - Sou o padre José. Este é o padre Tomé. - E eu sou Antônio, doutora! Me ajude! Estes são dois loucos! Acham que eu sou o demônio!... Tiraram meus sapatos, meias, calça!... - Disse Antônio, choramingando. - Me ajude! - Não acredite em uma palavra, doutora! O demônio sempre mente! - Disse Tomé. - Vá, senhora da bolsa e sapatos pink! A senhora levantou-se, deixando a sala, desesperada, correndo, Bateu a porta. - Este é o meu paciente!... - Não é mais. Estava assim, seminu, fingindo ser o porteiro. Ligue para a portaria, se quiser. O coitado do porteiro, estava amarrado, desde as seis horas da manhã. - Disse Tomé. - Verdade?... - Precisamos da sala, Dra! Não podemos perder tempo!... (Parte 14) - O que vão fazer? - Perguntou a Dra. Eduarda. Padre Tomé olhou para José, José olhou para Tomé, depois os dois olharam para a Dra. Eduarda, sérios: - Conversar! - Responderam, ao mesmo tempo. - Vá tomar um café, comer um misto quente, na sala ao lado, Dra!... Leve a srta. Elba! Parece magra demais. Precisa se alimentar... - Disse Tomé. Padre José apontou com as duas mãos para a porta, sorrindo. Dra. Eduarda pegou o celular, a bolsa, e saiu da sala, pensativa, mas obediente. Antônio ainda olhava para aporta, choramingando. - Eu pago as consultas em dia! Para quê? Ela nem se preocupou comigo!...Vocês viram?... - Berrou o demônio. - Amarre o demônio! Na poltrona, Tomé!... - Gritou padre José. Retirou a corda da mochila... - Na poltrona? Melhor na cadeira!... - Eu prefiro a poltrona... - Disse o demônio. - Você não prefere nada! - Tá bom! Que coisa!.... (Parte 15) - Então, quem é você? - Foi logo perguntando padre José. Antônio, sentado e amarrado na poltrona, ainda tentava se desvencilhar das amarras. - Eu sou... - Se você disser: Antônio!... A coisa vai esquentar!... - Alertou padre Tomé. - Quem é você? - Responda! Temos o dia todo! - Quem é você? - Melhor perguntar, quem são, padre José. - Disse Tomé, baixinho. - O quê? - Você sabe que é raro essa gente se projetar sozinhos... - Padre, deixe eu fazer do meu jeito?!... - Só estou tentando ajudar. Se perguntar quem são, podemos pular etapas. - Padre! - Ok! Vá em frente!... (Parte 16) - Quem é você? - Padre, eu não vou entregar o meu nome, né?!... Nem os nomes dos meus amigos!... - Como? É claro que vai!... - Então, tem mais de um mequetrefe contigo?!... - Somos muitos!... - Não vem com esse papo! Devem ser quantos, José? Dez ou meia dúzia? - Talvez, doze. - Pela cara desse aí, devem ser bem "chinfrim"...Sem eira, nem beira!... - Eu acho, também! - E que coisa é essa, meia nudez? - Debochou Tomé, rindo. José não conseguiu conter o riso, também. Abriu a mochila, tirou uma Bíblia, novinha em folha, ainda na embalagem, água benta, estola...- E esses pés imundos? Veio de onde? Da fazenda? Pisou aonde, hein?... - Acho que o nome dele é Pé de Lama!...Padre Tomé, esse é o nome dele! - Pé de Lama? É esse o seu nome? (Parte 17) - E tem mais... Acho que está sozinho. - Eu acho também... - Parem de falar como se eu não estivesse aqui! Já disse! Somos muitos! - Você leu ou ouviu isso, aonde, demônio? Assistindo filmes de terror? Lendo gibis? Livros de terror? - Não sei do que está falando!... - Não sabe, hein?!... - Padre, Tomé!... Acho que ele quer tomar um ar fresco... - Um ar? Não sei. Acho melhor levá-lo até os andares mais altos. É mais fresquinho!... - O quê? Vocês são padres!... Não podem fazer isso!... - Que tal uma aventura, hein? - Não quero! - Ah! O que é isso?... - Eu prefiro ir embora!... - Ah, mas você vai! Não nesse corpo!... - Disse padre José, aspergindo a água benta sobre Antônio. - O que é isso? Não gosta de água benta e vinagre? - Vinagre? - Cochichou Tomé. - É a novidade. Funciona mais rápido. O vinagre purifica, elimina germes, bactérias, fungos... - É?... - O mundo anda precisando de vinagre e água benta. Mais eficaz. - OK! (Parte 18) - Eu quero que vocês se ferrem, padres! Odeio esse cheiro de vinagre! Odeio a água benta! Odeio vocês! - Ah, é mesmo? Jogue mais vinagre e água benta, José!... - Pare! Pare! - Quem começa? - A ler? - Sim. - Não trouxe os meus óculos. Você lê, eu repito. - Não trouxe os óculos? - Não tomei o meu café da manhã! - E os mistos? - Isso foi depois! - Ei, vocês dois! Ainda estou aqui! - Querem sempre o palco, José! - Não esperam! Reparou? - Eu começo. - Eu repito. -E eu enlouqueço com essa ladainha chata! Me poupe!... (Parte 19) - Quem é você? - Eu não vou dizer! - Deixe esse homem! - Nem é um corpo tão bom assim!... - Cochichou padre Tomé. - Padre! Assim, perco a concentração!... - Ok! Eu não sei o que esse povo pensa! Estão obsediando qualquer um! Não faz sentido!... - É a pressa! - Berrou o demônio. - A pressa? - Sim! - Por quê? Vão tirar férias? - Perguntou, Tomé. José abaixou a cabeça. - O fim do mundo está próximo! - É mesmo? - Temos que levar o máximo de pessoas! - Para onde? - Para o abismo! - Ah!... O abismo, José!... (Parte 20) - O abismo!- Repetiu o demônio. - E vocês podem levar alguém? - Muitos! - Por quê? - Para quê? - Por que não vão sozinhos? - Se é bom, não leve ninguém! - É verdade... - Parem com isso! Vamos levar o máximo! Esses incapazes de resistir!... Esses fáceis de enganar!... Ah, ah, ah!...Como é fácil! Grite ou elogie! Estude, depois ataque! Use, depois descarte!Se aproxime, deixe sozinho!... É mais fácil destruir assim!... (Parte 21) - E vocês, tem esse trabalho todo, só para levar as pessoas para o abismo? Para quê? - Por quê? - É melhor ir sozinho. - Se acham bom!... - Para quê levar mais gente? - Acho que estão s esentindo solitários. - Coitadinhos!.... Quase fico com pena! - Deixe o Antônio, demônio! - Pare de apontar essa cruz para mim, padre! - Deixe Antônio! - Não! - Nem é um corpo tão bom assim, para você sussurrar ao ouvido!- Disse padre Tomé. Rapidamente, passou generosa camada de azeite, extravirgem, abençoado, nas orelhas e pescoço, testa, de Antônio, que se debatia. (Parte 22) - Cheiro de azeite extra virgem, Tomé... - Gostou? Tinha acabado o que você levou para mim... Peguei o azeite, na cozinha,abençoei. - Bom. - Vocês são uns m...! - Gritou Tomé. - Vocês não são ninguém! Querem um tour no Abismo? Vão sozinhos, seus b...! - Padre, acho que esses termos... - José! Deixe eu fazer do meu jeito! - Ok!... - Eu não tenho medo de vocês! José e Tomé, não tem medo de vocês! Vocês estão gastando os seus chi, seus m...! - O quê? Chi?... Ah! Ah! Ah!... - Ria! Pode rir! É a energia vital, demônio! Cada ser vivo tem, é como um aimpressão digital, DNA. Não tem como pegar emprestado, comprar mais, duplicar!... Cada ser vivo, nasce com uma cota, individual!...É o que vocês estão gastando, para se projetar! Fingindo que estão dentro do corpo, ou da mente das pessoas! As vítimas1 Não sou tolo! José não é tolo! Sabemos o que fazem, como mentem! (Parte 23) - Estão fingindo ser quem? O quê? - Belzebu? - É esse que vocês querem fingir ser? É o preferido, por aí, não?... "Eu sou Belzebu!" - Vai voar, mosquinha? Vai?... - Não deboche tanto, padres! - Tomé, ele tem razão. Está me distraindo. - Ok! - Mas... É o que fazem.... - Estão fantasiados do que, seus m...? Atrapalhando a vida de Antônio!... - E do prédio! - E do prédio! - De quem trabalha aqui! - De quem trabalha aqui! - Dos clientes e dos pacientes! - Padre, é melhor apenas um de nós falar!... - Você acha? - É! Não sou surdo! (Parte 24) - Cale a boca, demônio! Quem você finge ser? Diga?!... - Não digo!... Duas horas depois, José e Tomé, foram até o banheiro. - Precisamos de mais água! - Você abençoou? - Claro! - Que sujeitinho resistente!... - Bom... Temos o dia todo!... - Quero saber quem são... Mas....Se apenas se retirarem, está bom. Abençoamos Antônio, as salas, a portaria... - Não abençoou a portaria, José? - Não tive tempo! Deixei a Bíblia, acalmei o porteiro... Você precisava da minha ajuda... - Sabe quanto tempo vai demorar isso? Todas as salas, andares, o estacionamento... E ainda tem esse aí!... - Antônio, padre. - Não falo de Antônio. esse ou esses aí! Os que estão fazendo viagens astrais, projeções mentais, para obsediar Antõnio! - Depois de livrarmos Antônio, deles, precisamos explicar o qu eaconteceu, como agem. - Tem o rosário? - Não trouxe. - Então, vou dar o cordão com o crucifixo. Estava guardando para uma ocasião especial. - Ele está usando um. - Não está mais. - Não? - Aquele era do porteiro. Disse que colocou no pescoço, quando soube que viríamos. Para tentar nos enganar. Jogou pela janela...Não tive tempo de impedir. (Parte 25) - Alguém está pagando para eles fazerem isso, ou estão fazendo só por esporte. - Como são burros! - Gastando energia! Quando precisarem, não terão. Adoecem, sofrem um acidente... Cadê a reserva do Chi? Gastaram, nisso! - Padre, vamos fazer a pausa para o almoço. - Tomé!... - Com fome, não dá!... - Padre!... - Vamos ajudar Antônio. Fazemos uma pausa. - Pedimos para entregar. - Podemos? - Claro! - Faremos isso. - Antônio está cansado. - E os pés? Cheios de lama!... - Eu vi. Coisa estranha!... -------------------------------- https://www/facebook.com/adrianajanainapoeta

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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

In Meio Segundo (Contos) O Sexto Andar Por Adriana Janaína Poeta CPF.:01233034782 Todos os direitos reservados.

In Meio Segundo
(Contos)
O Sexto Andar
Por  Adriana  Janaína  Poeta
CPF.:01233034782
Todos  os  direitos  reservados.

  José  ajeitou  a  jaqueta  de  couro,  preta, pegou  a  mochila,  na  moto, tirou  o  capacete, olhou  ao  redor...
   A  rua,  moviventada, parecia  o  caos. ônibus, caminhões, motos, bicicletas, vários  veículos... Pessoas... Muitas... Quantas  pessoas!  Paraceia  que  todos, na  cidade, decidiram  andar  nas  ruas, naquela  manhã  de  segunda-feira.
  - Eu  sempre  gostei  da  segunda-feira! - Disse  Tomé, riscando  um  fósforo  de  um  hotel  barato,  para  acender  o  seu  cigarro. Sorriu,  já  com  o  cigarro  na  boca. Abanou  o  palito, pensou  em  jogá-lo  no  chão. O  olhar  reprovador  de  José, o  impediu. Deixou  esfriar  e  pôs  no  bolso, abanando  a  cabeça. - Sempre  o  bom  moço, José!... -  Disse  Tomé, ficando  ao  seu  lado. José  levantou  o  dedo  indicador, da  mão  direita, apontando, sem  olhar,  para  o  grande  outdoor, que  havia  do  outro  lado  da  rua:  Campanha  nacional...Não  jogue  lixo  nas  ruas!..- Diabos, José!... É  só  um  maldito  palito  de  fósforo!...
  - Tudo  começa  pequeno. - Comentou  José. Estavam  na  esquina  que  interligava  quatro  ruas, movimentadas, no  centro  da  cidade. Ficaram  de  frente  para  o  prédio, antes  às  suas  costas. Se  entreolharam, pensativos.
  - É  aqui? - Indagou  Tomé. - José...Eu  preciso  de  um  bom  café  da  manhã. Peguei  um  ônibus  interestadual, úmido, frio, cheirando  a  mofo!... Sabe  que  eu  detesto  mofo   e  janelas  fechadas... Bom, foi  o  que  eu  ganhei, depois  que  você  ligou  para  mim.
  - Porque  não  tomou  o  café  da  manhâ, antes  de  pegar  o  ônibus?  
  - Eu  funciono  melhor  à  noite. O  que  acha  de  começarmos  as  12h?
  - Não.
  - Por que?
  - Ele  fica  mais  forte  à  noite.
  - Eles!...Eles, José!  Você  sabe, não  andam  sozinhos! Revesam, finger  ser  apenas  um. Só  os  desavisados  saem  para  obsediar  sozinhos.
  - Por que? - Indagou  José, distraído  com  seus  pensamentos, olhando  para  o  prédio, atentamente. Tomé  o  olhou, irônico.
  - É  chato! Chega  uma  hora  que  cansa... " Eu  sou  o  demônio!'...Dizem. Ou: "Demônio!", repetem, feito  insanos, chamando  assim  a  quem  desejam  assustar, vencer, obsediar, enfraquecer, subjulgar. Perde  a  graça, faça o o  que  fizer a  vítima, depois  de  algum  tempo.  E  se  há  música, tocando, na  rádio, aparelho  de  som, celular... Um  desenho  animado, um  filme, na  tv...No  blue  ray...José, tudo  distrai  esses  caras!... Eu, que  fico  do  lado  de  cá, fico  entediado!... Imagine  os  que  ardem  seus  Chi, na  escuridão?... Os  que  pagam, com  a  vida  eterna  na  luz, pelos  prazeres  menores  e  o  passaporte,  só  de  ida,  para  a escuridaõ, densa  e  escura, eternamente?...  
  -  Tenho  um  pacote  de  biscoitos,  água  e  sal, com  gergelim  torrado.  Quer?
  -  O  que  isso  muda?  E  o  complemento?
  -  que  complemente?
  -  Eu  preciso  me  alimentar  bem! Gasto  minha  paciência,  nisso!  Preciso  estar  saciado, não?  Ovos,  bacon,  aipim  frito...
  -  Aipim  frito?  No  café  da  manhã?...
  -  É  o  meu  café  da  manhã! Iogurte  de  frutas  vermelhas, suco  de  laranja  ou  tangerina, pão, queijo, presunto, requeijão...
  -  Enjôo, só  de  pensar!...
  -  José, nem  todo  mundo  toma  uma  vitamina, e  sai  para  desfilar!...
  -  Estamos  perdendo  tempo.
  -  Quem  vai  ser o  bonzinho? -  Indagou  Tomé, após  um  longo  suspiro, contrariado. - Não  me  olhe  assim! Vou  ser  o  perverso, hoje! Não  tomei  o  café  da  manhã...
  -  Pode  ser  o  perverso. Não  sei  se  haverá  bonzinho, hoje... -  Disse  José,  e  os  dois  foram  caminhando, na  direção  da  portaria  do  prédio.
  - Aposto  que  não  tem  espaço  para  fumantes, na  pocilga!... - Comentou  tomé. Apagou  o  cigarro, deixou  na  lixeira, junto  com  o  palito  apagado, que  guardara  no  bolso
  -  Aproveite  para  meditar. - Disse  José.
  - José, nunca  irrite  um  homem  com  fome!...
  Entraram  no  prédio, José  foi  até  o  porteiro,  que  estava  atrás  do  balcão.
  - José  Sabbatine  e  Tomé  Zina.
  - Qual  andar, padres?  - Indagou  o  porteiro, solícito. - Sou  católico, também. Ainda  bem  que  vocês  vieram... Tenho  medo  de  perguntar, embora  saiba  para  qual  andar  vocês  ed  dirigem... É  o  Sexto, não  é  mesmo? - José  assentiu, sério. - Padre... Cuidado.
  - Por que  diz  isso? - Indagou  Tomé, receoso.
  - Dizem  que  o  andar  é  mal  assombrado.
  - Como?
  - À  noite,  quando  o  prédio  está  vazio,  apenas  a equipe   mínima, segurança, limpeza...No  andar... Parece  que  há  pessoas, no  sexto  andar... Sombras... Se  movimentando  pelas  escadas, corredores, salas...Depois, voltam  para  a  portaria.
  -  E para  a  garagem? - Perguntou  Tomé.
  - Apenas  da  portaria  para  o  sexto  andar.
  -  Então... Temos  fantasmas  que  gostam  de  usar  os  transportes  públicos!... -  Gracejou  Tomé. - Bom! Modernos, urbanos... É  melhor  do  que  procurar  vaga  para  estacionar...
  -  Não  é  engraçado, padre! - Disse  o  porteiro. Suas  duas  mãos  tremiam. Trazia  um  crucifixo,  de  prata, no  peito. Devia  ter  pouco  mais  de  cinquenta  anos.
  - Porque  suas  mãos  treme? - Indagou  José, sério.
  - Há  seis  meses, não  tremiam. - Respondeu  o  porteiro. - Foi  quando  comecei  a  trabalhar  aqui... Evito  ir  ao  sexto  andar, mas  as  vezes, é  preciso...
  - O  que  funciona  no  sexto  andar? - Indagou  Tomé.
  - Contabilidade  e  Psicologia.
  - Tem  gente, lá? Agora? - Penguntou  Tomé.
  - Tem, padre. Não  preciso   anunciá-los. sabem  que  os  senhores  passarão  do  dia  e  a  noite  aqui.
  - A  noite?... José?... Pensei  que  fosse  só  pela  manhã... - Começou  a  dizer  Tomé.  José  fez  um  gsto, para  que  se  calasse,  sem  para  de olhar  para  o  porteiro.
  - Qual  o  seu  nome, filho?
  - Antônio.
  - Antônio... Tem  a  Bíblia?   
  - Tenho  uma... Em  casa, padre.
  - Há  uma  Bíblia  na  portaria?
  Antônio  abanou  a  cabeça, olhos  arregalados.
(Parte)





  
 
  
 




 

Com medo das sombras. Por Adriana Janaína Poeta CPF.:01233034782 Escrito em: 14/11/2025 Conto/ Ficção In Trilogias In A Varanda Clube de Leitura dos Poetas Todos os direitos reservados.

Com medo das sombras. Por Adriana Janaína Poeta CPF.:01233034782 Escrito em: 14/11/2025 Conto/ Ficção In Trilogias In A Varanda Clube de Lei...