segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Zumbi Adriana Janaína Poeta CPF.:01233034782 Todos os direitos serservados (Ópera rock/ roteiro teatro)

Zumbi Adriana Janaína Poeta CPF.:01233034782 Todos os direitos reservados (Ópera rock/ roteiro teatro) I Zumbi O que é? O que é? Gosta e não gosta! É preciso ouvir alguém dizer! Alguém mandar! Alguém pressionar, elogiar, para gostar!... O que é? O que é? - Eu não sei para onde devo querer ir!... - Eu quero o quê? Me diz! Me diz! O que é? O que é? É agora ou depois? Você fala e logo penso, é ali! É agora! É assim! O que é? O que é? Para querer, é preciso saber o que o outro quer e diz... Quero e digo: sim! O que é? O que é? Se digo ou espero que alguém aprove o que faço, o que penso, o que digo, o que quero, ou não quero, devo fazer?!... Zumbi! Zumbi! Um zumbi! II Falta o recheio. O que aconteceu com o mundo? Estava tudo bem... Lembra? Agora tem zumbi, zumbi! Aqui, ali... Não!... Quem não é, está destoando! Quando acaba a moda zumbi?... Quem não é, é o insano! O zumbi é ser humano... Marionete! Mamulengo! Sombra se movimentando... Olhos parados, arregalados! Vidrados! É tão estranho!... Repete! Ventríloquo, o que o outro insano, sussurra ao ouvido!... Repete! Ventríloquo, o que o outro insano, ordenou, sugeriu!... Ali, vai um! Vem outro! Aquele ali! Zumbi! Zumbi! Já sei! Eu já sei! E se eu fingir ser um zumbi? (Não dá!) O zumbi não tem cérebro! Falta o recheio na cabeça, em cima do pescoço!... III Tem aí, do seu lado?... Olhe pela janela! O quê você vê passando?... Olhe ao redor, quando na rua estiver caminhando... Cuidado! Olhe bem! Estão se multiplicando!... Os ombros quadrados, os braços caídos, distantes dos corpos... Ferozes, ruidosos, os zumbis, estão por aí!... Cuidado! Há muitos assim! Tem aí do seu lado?... (Manchetes...) .O Manual do zumbi! .Pizza à moda zumbi! .Sopa para zumbi! .O Jornal do zumbi! .Venha! Ser zumbi está na moda! .Zumbi não pensa! Pensar para quê?... Zumbi! Zumbi! Eu já sei! O que o outro diz é o que é preciso fazer, pensar, ser, ter! O resto não dá nem para imaginar, porque zumbi é o que há!... (Finaliza o musical, canto e dança, inicia o texto) Um prédio, núcleo principal, residencial. Outro prédio, em frente, comercial. Vidraças, na portaria do prédio residencial. Grades, na portaria do prédio comercial. Esquina com a praia. Rua de pouco movimento. IV Branca tropeçou, subindo os poucos degraus, após o porteiro abrir o portão social, na direção da portaria. - Droga!... Quase quebrei o meu dedo!... - Reclamou Branca. Acabara de fazer as unhas, no salão de Beleza, na rua principal. Deixou cair as chaves do seu apartamento. Abaixou para pegar as chaves... - Branca! O que você está fazendo?... - Perguntou Cleverson, de terno e gravata, sorridente. Branca olhou, demoradamente. Ficava sempre sem palavras, admirando a beleza do vizinho... O cachorro de Paula começava a lamber os seus pés. Branca o pegou no colo, já não se importava com as unhas.Não tirava os olhos de Cleversosn... - Branca, você foi ao salão? - Perguntou Paula, sua amiga, também era moradora do prédio. - Não ía me chamar? Eu queria ter ido também... Branca fez que sim, depois que não, com a cabeça... É que seus olhos estavam grudados em Cleverson... - Tchau, meninas! - Despediu-se Cleverson, saindo pelo portão social, para pegar a carona com o primo. Trabalhavam no mesmo escritório, no centro do Rio de Janeiro, moram em Niterói, município ao lado, no mesmo estado.Era o dia de seguirem para o trabalho no carro do primo. Revezavam. - Branca, disfarça! - Disse Paula, beliscando a amiga. - Que coisa! Não pense que ele não percebe!... Acho que ele gosta dessa atenção... Mas, você precisa disfarçar... Assim assusta o Cleverson! Parece que ele é uma bomba de chocolate, açucarada, com baunilha no recheio, e você vai devorar!... - Eu gosto de olhar! Até esqueço que estou aqui!... - Branca, por que não convida ele para ir ao cinema? Ou jantar? - Eu? - Daqui a pouco, ele arruma outra namorada!... - E a Noêmia? - A ruiva? Já era!... - Por quê? - Indagou Branca, interessada, ainda com Chocolate no colo. Foram saindo do prédio, pelo portão social. Branca pretendia trocar de roupa, para ir até a locadora de vídeo, depois, iria para a academia, mas queria saber o que aconteceu entre Cleverson e a namorada ruiva. - Ela saiu do apartamento dele... Chorando. - Chorando? - Chorando. - Por quê? - Bom... Eu não fico prestando atenção na vida dos outros... Mas... É meu vizinho! - Paula... Ele mora dois andares abaixo do seu apartamento! - Eu sei! Mas, eu estava passando... Bom.... Ela desceu as escadas chorando. - Por que não pegou o elevador? - Eu vou saber, Branca?! - Eu perguntava! - Então, a ruiva desceu as escadas, chorando, pisando firme... - Como assim? - Feito criança, sabe? Quando está muito chateada. - Nunca fiz isso. - O quê? - Isso. - Chorar? - Não, Paula!... Bater os pés... Andar assim. Nunca fiz. - Não? - Não. - Nem quando estava chateada? - Não. - O que você fazia? - Nada. - Como assim? - Eu era a mais velha, Paula! Você não faz birra quando é a mais velha! - Não? - Não. - Por quê? - Eu sei lá! Pergunte para qualquer irmã ou irmão mais velho. Acho que nenhum faz birra. É como um protocolo, sabe? A birra fica para os caçulas. - Bom, a ruiva deve ser caçula. - Pode ser. - tem cara. - A ruiva é bonita! Eu vi! Detestei!... - Então, após três lances, e três portas de aço, abertas com violência e pressa... - Você seguiu a moça, Paula?!... - Como eu poderia te contar, se eu não fizesse isso?!... - Foi por mim? - Por quem mais? - Não sei!... Pelo Cleverson. ele tem queda por ruivas. - Você acha? - Paula! Eu vi primeiro!... - Mas, você não é ruiva!... - Eu pinto os meus cabelos, se ele quiser!... Não sei se fico bem. Minha vó vai ficar brava... Mas, se Cleverson pedir, eu pinto! Fico ruiva!... - A ruiva sentou. - Aonde? - No degrau. - Para quê? Chegaram ao outro prédio, em frente ao residencial, aonde moravam. Branca seguiu Paula. - O elevador... - Disse Paula. O elevador chegou. Entraram. O casal que morava no décimo andar, no mesmo prédio em que elas moravam, estava ali, de mãos dadas. Sempre andavam assim. Era bonito ver. - Boa tarde, seu Murilo e dona Tércia! - Cumprimentou Branca, sorrindo. - A ruiva sentou no degrau. - Cochichou Paula. - E depois? - Não sei. - Como não sabe? - Fiquei com vergonha de perguntar. Passei direto. Mas, desde então... Nunca mais a vi. - Quando foi isso? - Ontem. - Ontem, Paula?!... - Gritou Branca. Chocolate, assustado, latiu, Murilo e Tércia, se abraçaram, temerosos, como se o mundo fosse acabar... O elevador parou. Paula saiu, com Chocolate no colo, seguida por Branca. Seu Murilo e dona Tércia, deram graças a Deus! - Gente barulhenta! - Reclamou dona Tércia. - Para quê gritar assim? Quase tive um troço! - Disse seu Murilo, levando a mão ao coração. Paula e Branca não perceberam. Chocolate estava agarrado ao braço de Paula, com medo de Branca. detestava gritos. Estava quase cochilando... - Ontem! Ontem não conta!... - Por que não? - Se fosse no mês passado!... - Mas, na semana passada, nós duas os vimos juntos, Branca! - Eu sei!...Não posso sonhar?!... - Pode! - Então?... essa ruiva já está com ele há dois anos. - Um. - Um? - Certeza. - Como você sabe? - Marquei na folhinha. - O quê? - Por você, amiga!... - Não estou gostando disso, Paula! Você está noiva! - Não posso sonhar? - Com o Cleverson, não mesmo!... - Por quê? - Já tem a ruiva e todas as mulheres dos prédios da rua! Só vejo a mulherada esticando os olhos, suspirando, para ele!... E o Cleverson mora ao lado do meu apartamento... - Você está esperando o quê? - Eu? - É! - Mas... - daqui a pouco, ele casa! - Com a ruiva? - É! - Mas, você não disse que a Noêmia chorava, no degrau, ontem?... - Disse. - Então... Como o Cleverson vai casar, se já brigaram?... - Sei lá! Pode acontecer!... - Não pode, não! Cleverson é o noivo que eu escolhi! - Ele sabe? - Vai saber, depois do casamento! - Qual casamento? - O nosso!... Chegaram ao dermatologista. - Você fica com Chocolate, enquanto eu falo com o doutor? - Fico. Chocolate, ressabiado, demorou, mas aceitou ficar no colo de Branca. Pouco tempo depois, voltavam para o prédio onde moravam. Já era noite. - Acho que você deveria procurar outras opções. - Disse Paula. - Para quê? - Namorado, Branca! O Cleverson pode reatar o namoro com a ruiva. - Tenho esperanças. - Você tem esperanças? Tá bom!... - Que barulho é esse?... Chocolate pulou do colo de Paula, e subiu, correndo, os degraus de entrada do prédio, até a portaria, assustado. - O que deu nele? - Indagou Branca. - Sei lá!... - Disse Paula, correndo atrás dele. Chocolate arranhava as portas da entrada do elevador, desesperado. - Que pressa!...Será que é sede? Fome? - O banheiro?... - Indagou o porteiro, enquanto separava a correspondência. Branca continuava parada, no início da escada da entrada do prédio, portaria... Olhava na direção direita da rua... Seus pés congelaram, pelo medo que sentiu... Viu pessoas correndo, chorando, gemendo, algumas com partes das roupas rasgadas, ensanguentadas, feridas... Na direção da praia ou do prédio... V - Vem, Branca! O elevador chegou... - Chamou Paula. Chocolate entrou, apressado. Foi para um cantinho, encolhido e tremendo. - O que foi, Chocolate? Espere até chegarmos ao apartamento... - Corre! - O quê? - Corre! - Para com isso, Branca!... - Pediu Paula, rindo. Branca, pálida, correu como se fosse doida, sem tropeçar nos degraus. Fechou a porta de vidro da portaria, puxou o vaso com os coqueiros anões, a lata de lixo, sem fôlego, pôs atrás da porta. - Corre!... Seu Lucídio... Chame a polícia!... - O que foi? - Perguntou seu Lucídio, o porteiro, deixando de lado a correspondência e se aproximando da porta. - A senhora não pode fechar a portaria assim... E os outros condôminos? E o síndico? Vão chamar a minha atenção... - Abre! Abre! Abre! - Abre! - Abre! - Abre! De um momento para o outro, cinquenta pessoas, sacudiam os portões, tentando acessar o prédio. Mulheres, homens, de vária sidades... Branca e Lucídio recuaram, alguns passos. As pessoas começaram a escalar os muros, de vidro, como os portões, com as vigas de alvenaria... Caíam, rastejavam, pulavam... Foram chegando mais pesssoas, todas pareciam alucinadas, enlouquecidas, desesperadas... Seu Lucídio e Branca foram puxando o mobiliário... Não falavam nada, apenas agiam... Sofá, poltronas, mesinha, até o carrinho da limpeza... Quando todo o mobiliário da recepção e portaria, estavam travando a porta de vidro, seu Lucídio lembrou que não passara a chave. - Eu esqueci de passar a chave... - Agora? vamos, seu Lucídio!... Parte da visão de fora, estava obstruída pelos móveis empilhados.Ouviam os gemidos, gritos, choro, grunhidos, arranhões no vidro, socos e pontapés... Correram para a mesa da portaria... Pelos monitores, viram que as cinquenta pessoas, agora eram trezentas. Estavam como em um transe dinâmico, olhares esbugalhados, vazios... Os braços, quadrados, afastados dos corpos, quando não socavam portas, paredes, uns aos outros, ombros alteados. Então notaram que todos os interfones tocavam, ao mesmo tempo, leds vermelhos acesos e piscando. Branca e Lucídio, na tentativa de proteger a entrada, não tinham ouvido nada ao redor. Os que estavam do lado de fora, pareciam ter enlouquecido. Começaram a urrar, esmurrar com mais força os vidros da portaria, tentando entrar... Seu lucídio e Branca correram para o elevador... Mas, Paula, subrira, com Chocolate... O elevador de serviço estava em manutenção. Seu Lucídio puxou Branca, que socava as portas fechadas que dava acesso ao elevador de serviço, desesperada, chorando e gritando. Correram para a porta de aço que dava acesso para as escadas. Branca demorou a entender, mas logo entendeu que era o único caminho. O telefone celular de Branca começou a tocar... era Paula. O barulho do celular parecia aguçar mais a loucura dos que estapeavam e forçavam os vidros da portaria... - Seu Lucído, o snehor trancou as portas de acesso do primeiro lance das escadas? - Não tem como. - O quê? - São acessos para emergências. Não tem chaves, travas!... - Não? Ai... Ouviram o estrondo das vidraças semdo quebradas, partidas...Passos e tropeços, gritos, gemidos da multidão que agora acessava a portaria. - Atenda ao telefone! - O quê? - Atenda ao telefone! - Alô? Paula? - Sobe logo! - O que aconteceu? - Está na tv! Na internet! No rádio! O meu telefone não para de tocar!... - O quê? Branca e Lucídio íam subindo os lances de escadas, abrindo as portas pesadas de aço, e já estavam sem fôlego. Seu Lucídio, nervoso, tremia, mas tentava aparentar ter o controle da situação. - Calma, dona Branca! Calma... - Repetia seu Lucídio, vez por outra. - Zumbis! - Berrou Paula, pela primeira vez, demosntrando o seu desespero. Branca ouvia os latidos de Chocolate. - O quê? - Estão dizendo... estão dizendo... - Fala! Fala! - Que há uma invasão de zumbis! - Paula, isso não existe!... - O que você viu? - Indagou paula, nervosa. - Daqui, eu vi o que eles fizeram, na frente do prédio, entrando... Enlouquecidos, furiosos, violentos!...Os olhares! Os olhares... A ligação caiu. - Sem sinal! Seu Lucídio... Sem sinal no celular!... - O que vamos fazer? - Indagou seu Lucídio, agora com lágrimas nos olhos. - Calma... Vamos para o aprtamento da Paula. fica mais acima, é seguro. As portas são de aço. - Disse Paula, comovida com o estado do seu Lucídio, com voz mais serena, embora continuasse apavorada. - Acho que... Quanto mais longe da poratia, melhor. O senhor vem comigo. - O quê é isso? O quê é? - Não sei... Paula disse que são zumbis. - Zumbis? - Na tv, rádio, internet... Estão dizendo isso. - Não é uma bricadeira? - Invadindo prédios? Quebrando vidraças? - Mas... Zumbis não esxistem! - Eu disse isso, seu Lucídio! Para Paula! - O quê ela disse? O quê ela disse?... Barulho! tentavam abrir a primeira porta de aço, a que dava acesso para as escadas... Como todos tentavam, ao mesmo tempo, era difícil abrir... Abriram a porta...Correria, urros, gritos, gemidos, choro, tropeços, passos... Parecia uma manada de elefantes, estourando. Branca e seu Lucídio íam subindo os lance sde escadas, sem fôlego, suados, trêmulos. Fechavam as portas, na tentativa de ter a esperança de dificultar o acesso para os invasores... Chegaram ao andar do apartamente de Paula. - Espere... E se tem algum deles no corredor? - indagou seu Lucído, pondo-se na frente da porta de aço. - Fale baixo! - Pediu branca, cochichando. - Acho que os zumbis não gostam de barulho!... - Eu quero que ele sse lasquem!... - Seu lucídio! - Vou abrir, com calma. Se tiver um, no corredor, subimos, correndo, para o andar de cima. - Não aguento... Subir mais... - Se um deles correr atrás de você, você sobe... - disse seu Lucídio. Entreabriu a porta, sem fazer barulho. Branca foi logo metendo a cabeça, apressada, depois o braço, a cabeça...A perna... Ganhou o corredor! Fez sinal, com as mãos, para seu Lucídio, para que ele a seguisse. - Paula... - Murmurou Branca, diante da porta do apartamento da amiga. - Ela não vai ouvir assim... - Disse seu Lucídio, apertando a campainha, para o desespero de Branca, fora do apartamento, e de Paula e Chocolate, dentro do apartamento. - Quem é? - Indagou Paula, junto a porta. Chocolate não parava de latir. - Paula! Você tem olho mágico! Abre! - Quem é? - Sou eu, Branca! E seu Lucídio! Abre! - Como vou saber que você e ele não são agora zumbis, como eles? - o quê?!... Essa porta de aço já estava no chão, como a sua cara!... Abra a porta, Paula!- Berrou Branca, indignada, batendo s punhos e pés contra a porta. Paula abriu a porta, chateada. - Branca!... Voc~e queria quebrara aminha cara, amiga?... Branca entrou no apartamento, puxando seu Lucídio. Chocolate correu para se enconder, no quarto. Paula terminava de fechar a porta com a chave, quando Branca a puxou, para que ajudasse a ela e ao seu Lucídio, enquanto puxavam toda a mobília possível, para traz da porta. Fizeram o mesmo, atras da porta da cozinha. Fecharam as janelas e basculhantes, com os trincos. Não tinham mais forças. No meio da ação, seu lucídio, exausto, foi sentar-se, no sofá, diante da tv ligada, ofegante. Viu as imagens na tv... Acontecia no mundo todo. Pessoas invadiam casas, apartamentos, escritórios, prédios públicos...Não gostavam de animais, de água, iluminação, sons... - As cabeças! - Berrou um homem que passava pelo repórter, correndo, em um campo aberto. Parecia que algumas pessoas, inclusive a equipe de um conhecido jornal,foram pegos numa avenida, próxima, por um amultidão de zumbis. Era impossível seguir de carro. Saíram dos veículos, correram, até chegar a uma propriedade, com vasto terreno, arborizado, parte a céu aberto, aonde estavam, sem iluminação. Procuram abrigo. A equipe de reportagem ligara o equipamento que conseguiram levar, improvisando uma matéria, enquanto corriam. - Ei! Ei!... Repita! O que você disse? - Indagou o repórter, correndo atrás do homem, no meio dos outros que buscavam abrigo. - as cabeças, cara! - Como? Pare um momento! Fale! - Pediu o repórter. todos pareciam exaustos, aterrorizados. O homem desacelerou os passos, ofegante. Era jovem, alto, cabelos castanhos, cavanhaque. Usava trajes esportivos. - O quê quis dizer? - Eu já li... Já vi... Nos filmes!... - O quê? - São zumbis! Temos que cortar as cabeças, entende?... Urros, gemidos. De várias direções, chegavam centenas de zumbis, correndo, como se fosse o fim do mundo. O repórter olhou par a câmera, a imagem saiu do ar, como o canal de tv... Seu Lucídio levantou. Foi até a janela, devagar, a boca aberta, os olhos cheios de lágrimas. Fechou as cortinas, checou se as janelas estavam trancadas... Não quis olhar para baixo. No prédio, em frente, comercial, foi mais demorada a invasão, porque as portas eram gradeadas, como os portões, mas estvama invadindo. Haviam quebrado o que podiam. Subiram até o sexto andar... Paula segurava os joelhos, sentada na poltrona, chorando. Branca segurava o crucifixo que havia no cordão de ouro, que trazia no pescoço. Rezava. Paula, ainda apavorada, foi até a janela. Quis abrir, mas Lucídio e Branca não deixaram. Então, olhou, afastando um pouco as cortinas... Os zumbis subiam os outros andares do prédio comercial, em frente... A rua estava tomada... - O quê vamos fazer? - perguntou Branca, desesperada. - Resistir. - Disse seu Lucídio, pensativo, ainda tendo lágrimas nos olhos. - O quê? - Indagou Paula. - Vou ver meu Chocolate!... Se eu estou com medo, imagine ele!... - E se eles subirem até esse andar? - Não pense nisso, dona Branca!... - E se aprendem a escalar? Como as aranhas, as baratas?... E tentam entrar pelas janelas? Seu Lucídio!... As janelas são de vidro!...Vamos, me ajude!... Branca e seu Lucídio checaram cada janela e basculhante, travaram como puderam, todas, com móveis. Depois foram ver Paula... Estava encolhida, na cama de casal, luzes apagadas. Colocara Chocolate na casinha de transporte, com a manta e alguns brinquedos. Assim ele ficava mais tranquilo, sentia-se mais protegido. - Paula!... Paula... - O quê? - Temos que fazer alguma coisa! - Branca... Fazer o quê?!... - Não sei! Ligar para a polícia!... - A polícia? - O exército!... - O Exército?... - A Marinha, a Aeronáutica, os Bombeiros!... Alguém tem que vir ajudar a gente!... - Já deu uma olhada pela janela? Carro nenhum passa pelos zumbis! As ruas estão tomadas! Seu Lucídio, olhar cansado, andava em círculos, dentro do cômodo. - Seu Lucídio... O senhor não vai virar zumbi, né?... Seu Lucídio... Não fique aí, caladão... esse olhar... Isso assusta a gente, né, Paula?...Seu Lucídio... Fale alguma coisa... Não vai urrar, nem gemer, como eles, vai?... Diga algo, seu Lucídio!... Algo que gente diz... - Eu não sou zumbi!... - Disse seu lucídio, aborrecido. - Andar me acalma! - Ah!... Tá bom... - Ande, seu Lucídio! Continue calmo... - Se for virar zumbi, avise! - Basta um sinal. - Qual? - Paula!... Qualquer um!... Um sinal de zumbi, Paula!... - Isso existe? - Sei lá! - Não... Vamos estabelecer isso, agora... - O quê, Paula? - Se algum de nós sentir que vai virar um zumbi... Vai levantar o braço. Bem alto. - Qual? - O quê? - Qual braço? O direito ou o esquerdo? - Tanto faz! Escutou seu Lucídio? Se sentir que vai virar um zumbi... Ficar estranho... meio quadradão... Braços e ombros assim...Aquela coisa esquisita!... Os olhos inchados, botocudos... Começar a dar vontade de gemer, urrar... Pular, arranhar...Bom, o snehor já sabe!... Levante um dos braços, acima da cabeça. Qualquer braço, esquerdo ou direito. - Seu Lucídio? - O quê? - de vez em quando, o snehor fala alguma coisa. Eu e paula falamos pelos cotovelos. O senhor é caladão...Nesse momento, isso vai assustar a gente. - Ora!... O quê eu vou fazer?! Eu sou assim! - Tá bom!... Faz o que o senhor quiser. Não virando zumbi, tudo bem!... - Por favor, zumbi, aqui dentro do apartamento, não!... - E o zumbi, hein, Paula?...se eu fosse zumbi... O primeiro que eu ía provar era o Chocolate!... - Não brinque com isso! Pensei a mesma coisa! Por isso coloquei ele na caixinha. O meu Chocolate é menino. trato ele assim! E ele entende tudo, inclusive o que você está dizendo. Qualquer animal sente e entende tudo, sabia? Dor, frio, medo, calor, fome, solidão, saudade, tristeza...Chocolate, a tia Branca está brincando, hein?!... Está tudo bem! - E se isso demorar a passar? - O quê, seu Lucídio? - Se demorar dias... Essas coisas! Urrando e gemendo, destruindo tudo! Esperando a gente sair, ou conseguirem abrir ou arrombar as portas?!... - Bom... Eu tenho um estoque de comida congelada... Acabei de comprar ração, patê, água mineral e de coco, biscoitos, para o meu Chocolate! Podemos resistir, por algum tempo. - E a Polícia? - A Polícia? - O Exército?... A Marinha, a Aeronáutica, os Bombeiros!...Sei lá!... Alguém tem que dar um jeito, né?! - Como? - O moço... Na tv!... - O quê, seu Lucídio? - O moço, na tv... Disse que era preciso cortar a cabeça do zumbi. - A cabeça? - Ele disse! - Mas, tem que ser a gente? Nossa1... quem vai chegar perto de um desses? Trezentos deles correndo e avançando na nossa direção?... - Eu, se precisar... Vou para cima do mais forte. - O quê? - Não são zumbis? Não são invasores? Eu vou analisar, rapidamente, quem comanda ou quem é o mais valentão. Assim, elimino o chefe da zumbilândia! - E o resto? O resto, Paula? - Deixo para vocês. - Tá bom!... E Chocolate? Vai deixar o chocolate, sozinho, para pegar o zumbizão? Tá bom!... - Se preciso defender a mim, ao Chocolate, vou pensar assim! - Com tudo o que colocamos nas portas e janelas... É impossível que entrem aqui! - Vou tentar o rádio! - Disse Lucídio. - Você tem um, dona Paula? O meu está na portaria... A Tv, a internet, os telefones... Estão fora de serviço... A rádio... Precisamos tentar... Escuto o futebol ali. A senhora tem?... Precisamos de notícias... - Tem um, na cozinha, perto do armário e da pia. O senhor fique à vontade. Coma algo, seu lucídio. - A tv saiu do ar... - Bom... Não tem mais internet ou telefonia funcionando... - Parece filme de terror!... - E Cleverson?... Meu deus, e Cleverson, Paula?!... - Brnca!... - Cleverson... Eu nem consegui dizer um tchau... Se eu fosse zumbi, ía atrás do Cleverson!... - O quê? - Ah, você não?... Se eu tenho que pegar alguém, vou atrás de um Cleverson!... Ora... - Branca, você diz cada coisa!... - Não posso morrer, sem que Cleverson me peça para ficar ruiva para ele!... - Cleverson está bem! - Não! - Deve ter ligado para Noêmia. - O quê?... - Nessas horas... A gente sempre faz as pazes... É o fim do mundo, não?... - Cleverson! Cleverson! - Gritou Branca, correndo na direção da janela do quarto, que ela mesma trancara. Paula correu, a impediu de abri-las.- Cleverson! - Repetiu, baixinho, chorando. - tanto tempo te olhando, sonhando!... Vem uns zumbis, sem vergonhas... Bagunçam tudo! Não é justo!... - Calma! Calma! - Como vou me acalmar? Essas coisas podem invadir o apartamento, a qualquer momento, Paula?!... - Não vão! - Não? - Não. - Você promete?... - Prometo! - Então, tá! O que tem para o jantar?... Nessas horas, me dá uma fome!... - Comida congelada. Pronta para aquecer. - É boa? - Uma delícia. - Parece prático. - E bom. - O que tem para escolher? - Vamos para a cozinha. Vou levar Chocolate. Ele vai comer o seu patê preferido, e beber água de coco! - Eu queria uma caixinha dessas, igual ao do Chocolate, para eu ficar! Chocolate... Não saia daí!... - Pare de assustar o meu Chocolate!... - O quê?!... - Já disse! O meu chocolate é menino. Entende tudo!... - Cleverson!... - Esquece o Cleverson, agora. Pensa na comida! - Os zumbis estão pensando na comida, Paula! Somos nós! Estou com medo de você, Paula!... - Mas, você não disse que estava com fome?... - Estou! Mas, estou nervosa!... É muita coisa para pensar!... Comida... Cleverson... Zumbis... Que dia para isso acontecer! No dia de semana, Paula! Não é nem final de semana!... Se fosse... - O quê mudava? - Sei lá! Mas, no final de semana, você fica preparada para tudo! Qualquer novidade! Durante a semana... Bom... Só a rotina. - Vamos. - Jantar? Tá bom! Estou com fome. ---------------------------- Enquanto eu digito, incluem erros gramaticais, atrapalham a minha digitação, invadindo o sistema.

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Com medo das sombras. Por Adriana Janaína Poeta CPF.:01233034782 Escrito em: 14/11/2025 Conto/ Ficção In Trilogias In A Varanda Clube de Leitura dos Poetas Todos os direitos reservados.

Com medo das sombras. Por Adriana Janaína Poeta CPF.:01233034782 Escrito em: 14/11/2025 Conto/ Ficção In Trilogias In A Varanda Clube de Lei...