domingo, 2 de novembro de 2025

In Malditos pensamentos que escapam/ Os inocentes Por Adriana Janaína Poeta/ CPF.:01233034782/ Episódio: 16/ Todos os direitos reservados. Escrito em 10/09/25

In Malditos pensamentos que escapam Os inocentes Por Adriana Janaína Poeta CPF.:01233034782 Episódio: 16 Conto/ ficção Todos os direitos reservados. Escrito em 10/09/25 O juiz Cristóvão Furtado sentou-se na poltrona de couro, da cor do chocolate, fouton, espaldar alto, bem acolchoada e confortável, em frente a mesa de madeira trabalhada e escura, no seu gabinete. Os dois assistentes entraram, cada um com uma pasta de couro nos braços. Os três voltavam do almoço, após uma reunião que durou quase toda a manhã. - O que temos ainda hoje, Bonifácio? - indagou o juiz, examinando a sua agenda, atento. - Eu já organizei tudo, referente o caso dos oito invasores. - Os oito invasores? - Repetiu o juiz, pensativo. - Saiu em todos os jornais!... - Exclamou Emerson, sorrindo, empolgado, olhando para Bonifácio. Ajudou na revisão do material, documentos, anotações. Achou tudo muito interessante, incomum. Parecia ser um conto policial. Adorava literatura policial! - O senhor ficará surpreso!... Parece se trará de um filme... E aconteceu de verdade! - Completou, animado de ter sido escolhido para ajudar a analisar o material. - Emerson... Não sei se gosto ou aprovo esse seu entusiasmo pelo caso... Temos que manter distanciamento, sempre. - Comentou o juiz, preocupado. - Acho que li algo a respeito... Já pensou o que aconteceria? Se todos os proprietários, moradores legais, respondessem a bala, cada vez que invadissem propriedades?...Sobraria alguém? - Indagou o juiz, muito compenetrado, enquanto Bonifácio abria as pastas, organizando os arquivos do processo na mesa. - Há um número grande de invasões no país. Sobretudo agora, nos centros urbanos. As pessoas parecem ter perdido o respeito pelas leis, pela propriedade, pública, privada... Não importa. Para quem invade, para roubar, ocupar, qualquer coisa!... Parecem estar sob o efeito de hipnose... Enfurecidos, entorpecidos, cegos, surdos, para a razão, dispostos a tudo! É preocupante!... Mas... Se todo cidadão, vítima, de bem, começara atirar quando alguém invade a sua residência, o seu escritório, o seu comércio... E se fizerem o mesmo, quando invadirem logradouros públicos... O que acontecerá? Eu tenho receios. Não são casos isolados. Há quem use documentos, intimações, mandados, falsos, para conseguir isso. E violência... - Neste caso, aparentemente, invadiram para furtar. _ Observou Emerson. - Os oito invasores, armados? - Indagou Bonifácio, irônico. - Encapuzados? Na calada da madrugada? - Disse o juiz, recostando-se na cadeira, juntando as mãos, pensativo. - Armados, encapuzados, quatro com documentos, quatro com algum dinheiro nas meias. - Nas meias? - Parece ser hábito dos criminosos, senhor. - Quatro sem documentos e sem dinheiro nas meias, senhor. - Todos maiores de idade, várias passagens. Está tudo aí. - E os armamentos? - fortemente armados. Mas, há o entendimento de que invadiram para furtar. Não sabiam que a proprietária estava em casa, que tinha uma pistola. - Com porte? - Sim. - E atirou? - Nos oito invasores. Sim. Todos vieram a óbito. Ela revistou, fotografou os corpos, tirou as digitais, usando uma fita lacre, escaneou, usando o celular. - Tirou as digitais? - E gravou um relatório, resumindo o ocorrido, no celular. - Comentou Emerson, sem deixar de sorrir. Era uma história interessante. Gostaria de assistir, nas telas, comendo pipoca, no cinema. - Enviou tudo para os emails pessoais. - E para a polícia? - Também. - Por que os emails? - Disse que queria ter cópias, caso alguém mais chegasse, tentando resgatar os oito invasores, antes da polícia. Anexou fotos. - Dos corpos, dos documentos encontrados. - E as digitais. - Depois, ligou para a Polícia. Relatou tudo. Esperou a polícia chegar. Os invasores cortaram a luz, antes de invadir a casa. As câmeras têm baterias, por isso, gravaram tudo. - E os oito invasores, mortos. - Atalhou Emerson. - Esticadinhos, com os capuzes jogados sobre eles. - Entregou a pistola para a perícia. Relatou tudo, mais uma vez... O de praxe. - Mas.... Por mais que eu ache errado, e é, invadir uma propriedade, privada ou pública... Me preocupa o fato de ter alguém que se disponha a tirar em oito invasores, oito criminosos, armados e encapuzados... - No relatório há menção aos cães. Eles uivaram muito, naquela noite. - Os cães uivaram?... - Os cães uivaram. - É natural! Os disparos os assustaram... - Ela usou o silenciador. - Havia o silenciador? - E cães, assustados, fogem, não uivam. Vários cães uivaram, depois da invasão. - Enfim... - Disse o juiz, por fim, após refletir algum tempo. - Quem é essa senhora, que vitimou os oito invasores? Quem é? - Mila Tavares. - A autora? - indagou o juiz, voltando a recostar-se na cadeira, juntando as mãos, surpreso e pensativo. - A autora. - Mila Tavares?... - Sim. - Bom... - Começou a dizer o juiz, recobrando o fôlego, o tom anterior, muito sério. Começou a verificar os documentos iniciais, atentamente, colocando o seu óculos de leitura. -----------------

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