Clube de Leitura dos Poetas (Adriana Janaína Poeta) Publisher https://wwwfacebook.com/adrianajanainapoeta adrianajanainapoeta01233034782@gmail.com This Blog is owned and authored by Adriana Janaína Poeta, pseudonym of Adriana Janaína Alves de Oliveira / CPF. 01233034782. Brazilian, born in Rio de Janeiro. Without Whats APP. Writer, Composer, Journalist, Editor, Founder, (2004), and owner. Married to Marcelo Bernardo (de Oliveira), since 04/02/2010.
domingo, 2 de novembro de 2025
in O Carneiro Por Adriana Janaína poeta CPF.:01233034782 Contos/ Ficção Todos os direitos reservados.
in O Carneiro
Por Adriana Janaína poeta
CPF.:01233034782
Contos/ Ficção
Todos os direitos reservados.
Enquanto eu digito, invadem o sistema e wi-fi, incluindo erros gramaticais, formatação. Corrijo, quando percebo.
O Carneiro é uma coleção do Clube de Leitura dos Poetas,
autora: Adriana Janaína Poeta,
fundadora, criadora e proprietária do Clube de Leitura dos Poetas.
São 4 volumes, cada qual com 10 contos.
I
Volume
1. A sexta - feira.
Por Adriana Janaína Poeta
Ieda estava quase adormecendo, quando ouviu o barulho dos cascos, batendo no chão, apressados, rodeando a casa. Sentou-se na cama, que ficava colada à janela, dando para os fundos. Passava da meia noite. A luz da área de serviço estava acesa. Não havia nada, ninguém...
O barulho foi ficando distante, quando circulava a frente da casa, na direção oposta ao quarto aonde ela, a irmã e a mãe, viúva há quase um ano, dormiam. Os irmãos, o primo, este último hospedado recentemente, dormiam no quarto ao lado.
Levantou-se, sem fazer barulho, para não acordar a mãe, a irmã. foi até o quarto ao lado, os irmãos e o primo dormiam. Verificou os outros cômodos, se as portas e janelas estavam fechadas, depois voltou para o quarto. Deitou-se. O barulho continuou por cerca de 10 minutos, depois ouviu um berro de um carneiro...
- Béeeeeeeeee!...
E o barulho dos cascos parou. Silêncio. Logo voltou a dormir.
- Ouvi barulhos estranhos, de madrugada. - Disse Ieda, já sentada à mesa, com os irmãos, a mãe, o primo, mesa posta.
- Que barulho? - Perguntou o irmão primogênito, Simão.
- Por 10 minutos... Era como se os cascos de um animal circulassem a casa, várias vezes, apressado... Depois, ouvi o berro de um carneiro.
- O quê? - Indagou o primo, Geraldo. Estava separado da primeira esposa, com quem tinha um filho, pequeno. Teve, recentemente, outro relacionamento, e uma filha, autista, como contou, há pouco. A relação aconteceu após o término do seu casamento. No entanto, Ieda, os irmãos, a mãe, não conheciam bem nenhuma das duas esposas e filhos do primo, tendo visto, por duas vezes, a primeira esposa, grávida, uma vez, e depois com o filho, uma vez também. A segunda esposa e filha, nenhuma vez. Quando o primo levou a primeira esposa, grávida, na casa deles, moravam em um residencial, com casas amplas, ruas que formavam quase um conjunto, embora aberto, arborizado. Moraram ali por anos, sendo um lugar tranqüilo. Agora residiam em casa alugada, por temporada. A mãe estava prestes a receber valores. Comprariam uma loja com moradia, talvez um sobrado. Ieda tomaria conta da loja, a família residiria na parte residencial.
O primo estava desempregado. Chegou de surpresa,, trazido por um tio, irmão de sua mãe, a esposa deste, a filha adotiva do casal. Trouxe apenas uma mochila, com poucas roupas, dois telefones com a função de rádio, nenhum dinheiro. Não tinha onde morar. Um dos irmãos, que morava na casa, parte herdada da mãe, falecida, irmã do meio da mãe de Ieda, madrinha desta, não queria ele lá. Residia na casa com a esposa e dois filhos. A ex- esposa, a primeira, também não o queria na casa, onde morava com o filho. Da segunda esposa, o primo pouco falava. Por educação, nada perguntavam.
- Não posso mais ficar com ele na minha casa! - disse o tio, rispidamente. - E é bom para você, para as crianças... Ficar com ele aqui. Ter um homem em casa. - Dizendo isso, foi embora, levando a esposa e a filha.
Geraldo há poucos dias conseguiu um carro, para pagar depois, segundo dizia. Pediu a Liliane, mãe de Ieda, sua tia materna, que emprestasse um valor, assim que recebesse. Ele pretendia se reconciliar com a primeira esposa. Disse que amava a esposa e o filho, sentia saudades dos dois. Comentou que indo de carro, demonstraria que estava bem, financeiramente, e os irmãos e outros familiares da esposa, não se oporiam ao relacionamento. Também poderia, enquanto isso, levar a tia e os primos ao supermercado, aonde precisassem, dirigindo o carro, até voltar a morar com a esposa e o filho.
Naquela manhã, contou que sonhou com o filho na noite anterior. No sonho ele estava em um local desconhecido, de costas. Via através de um espelho à sua frente, a imagem do filho, brincando, e chorava, emocionado, feliz, mas com saudades, tendo a sensação de que só poderia vê-lo daquela forma, por um espelho. Acordou ainda mais decidido a ir ver a ex esposa e o filho.
- Béeeeeeeeee!... - Imitou Ieda. Riram. - Foi isso que eu ouvi, depois tudo ficou em silêncio. eu abri a janela do quarto, não vi nada, ninguém. Fui até a sala, os outros cômodos... O mesmo. Voltei a dormir.
- Estranho. - Disse Simão.
- Não foi sonho? - perguntou o irmão caçula, Túlio.
- Não. Eu estava acordada. - Respondeu Ieda.
O dia passou. Anoiteceu. Era sexta-feira, e durante a tarde, uma das pessoas que faria o pagamento a mãe de Ieda, adiou o compromisso para a segunda-feira. Estava marcado para o sábado.
Ieda notou que o primo, desde que chegou a casa, andava até a outra ponta do quintal, junto ao muro perto da estrada principal, para tender aos telefonemas misteriosos que recebia, longe da tia, dos primos, da casa. Era impossível ouvir qualquer coisa daquela distância. Ieda comentou, uma vez, com a mãe. Dona Liliane, senhora bondosa, sempre enxergava apenas qualidades nas pessoas. Viúva pela segunda vez, a primeira no meio dos anos 70, a segunda no início dos anos 90, há quase um ano, ainda estava triste, de luto. Sentiu fortemente a perda. As vezes, Ieda a surpreendia chorando, escondido. Antes sorridente, Liliane estava mais introspectiva, embora tentasse disfarçar.
- Deve estar falando com a mãe da filha, recém nascida, ou com a mãe do filho dele. Quer reatar e ver o menino. - Respondeu a mãe. - não vou perguntar nada, para respeitar a privacidade dele. As 19:00 horas, daquela sexta-feira, a mãe colocava a canjica de molho, pretendendo cozinhá-la no dia seguinte. Foi quando os irmãos de Geraldo chegaram, inesperadamente.
Tadeu e Valcir entraram na casa, sérios. Não era comum ter os primos, o tio, visitando ela, os irmãos, a mãe. Os primos não tinham o hábito de visitá-los, desde a morte da mãe.
- Arlete está no hospital. Internada. - Contou o primo que ficara responsável pela irmã.
- O quê aconteceu?
- Epilepsia!
Arlete era a irmã adotiva dos primos, Valcir, Evandro, Tadeu, Geraldo, a caçula. Tinha 15 anos.
- O que aconteceu? - Perguntou Liliane, preocupada. Apesar de não ter sempre contato com os sobrinhos, os vira pequenos, se preocupava com eles. Eles só a procuravam quando tinham problemas ou precisavam de dinheiro.
- O quê? Não sabia que Arlete era epilética. - Comentou Liliane.
- O pai de Arlete não bebia? O biológico? O que faleceu quando Arlete era bebê?- Indagou Tadeu.
- Bebia, às vezes.
- E a mãe?
- Não sei.
- Deve ser genético... - Comentou Tadeu. - Arlete quer que a senhora vá até o hospital, visitá-la. Hoje. Agora.
- Agora? Hoje é sexta-feira, são quase vinte horas... Que hospital permite visitas a essa hora? - Indagou Ieda, achando tudo muito estranho. Tadeu a olhou, rapidamente, sério, sem responder.
- Geraldo também tem que ir. - Disse Tadeu.
- Eu só vou se a titia for! - Exclamou Geraldo, aparentemente nervoso.
- A titia vai, não vai? - Indagou Tadeu, olhando para Liliane, sério.
- Claro. Se a tua mãe estivesse viva, faria o mesmo pelos meus filhos. Foi para o quarto trocar de roupas. Já estava com as roupas para dormir Ieda foi atrás.
- Mãe... Está muito estranho... Epilepsia surge depois dos 15 anos? Não sei, não... Acho que a senhora deve esperar até segunda-feira, ir durante o dia.
- se a tua madrinha estivesse viva, faria o mesmo por vocês. Tenho que ir. Arlete já sofreu muito com a perda da mãe, que ela adorava. Não gostei da esposa de Tadeu ter contado para Arlete que ela era adotada... Tua madrinha sempre recomendou que ninguém contasse. Sempre quis ser mãe de menina... Amava Arlete! Quando você nasceu, ela pediu que eu desse você para ela. Segurou você nos braços, olhou para mim e disse:
"- Dá ela para mim?..."
"- Como? E o pai dela? E eu?..."
"- Você terá outras. O médico disse que u não posso mais tentar ter filhas. Meu coração não agüentaria."
- Fez o mesmo, quando a tua irmã, Nicole, nasceu. - Disse Liliane. - Foi por isso que a convidei para ser a sua madrinha. Ela aceitou na hora, cuidou de tudo. O pai de Nicole disse que a jovem, criada como irmã dele, seria a madrinha de batismo de Nicole, quando eu quis tratar do batizado dela. Por isso, não convidei a tua madrinha para ser a madrinha de Nicole. Sua tia iria adorar ser madrinha de novo.
- Mãe, que hospital permite visitas á noite?
- É hospital militar, você sabe. Deve permitir. Se Tadeu diz... Vou até a cozinha, você leva o meu par de tênis com as meias? Vou tomar um café antes de ir. Faço rápido, deixei a água no fogo. - disse Liliane, de sandálias, que usava em casa. Liliane foi para a cozinha. Ieda encontrou o par de tênis, já com as meias, limpas, dentro, dobradas. A mãe tinha esse hábito. Levou o par de tênis com as meias para a mãe. Foi quando a viu nos fundos da casa, junto ao muro alto e branco. Liliane estava séria, preocupada. Os três primos a rodeavam, fazendo com que ela parecesse ainda mais frágil. Tinha estatura baixa. Ieda foi andando, rápido, na direção deles, para ouvir o que diziam para a sua mãe, mas eles pararam de falar, quando viram Ieda se aproximando. Os primos entraram na casa em silêncio, cabisbaixos, sérios.
- O quê diziam, mãe? - Indagou Ieda, cada vez mais intrigada. Entregou o par de tênis para a mãe, a contra gosto.
- Está tudo bem, filha. - respondeu Liliane, sorrindo. Foi até a cozinha, sentou numa cadeira, começou a calçar as meias, depois o tênis. Ieda foi apagar o fogo da chaleira. A mãe nem teve tempo de fazer e tomar o café.
- Mãe... Não vai! Não estou gostando disso!... Vá segunda-feira, de manhã. Peça o nome e o endereço do hospital. Eu vou com a senhora.
- Eu vou filha. Geraldo disse que não irá se eu não for. Tadeu insistiu.
- Não vai, mãe... - Pediu Ieda. Enquanto a mãe calçava o par de tênis, Ieda viu, atrás da mãe, uma luminosidade boa, clara, amarela, não ofuscante, brilhando, calma, sem cessar. Lembrou que assim que anoiteceu, em vez de tomar banho no banheiro, como sempre fazia, a mãe fechou a porta da cozinha, pediu para ninguém ir nos fundos, pois tomaria banho, de balde, água fria do tanque, na área de serviço. A mãe, como Ieda, só gostava de tomar banho de água quente e privacidade. Após calçar o tênis, a mãe olhou para Ieda, ainda sentada na cadeira. Sorriu para a filha, que estava preocupada. A luz ainda estava sobre o corpo e a cabeça da mãe. Era uma luz incomum, não era a luz da iluminação da cozinha.
- Eu volto logo, filha. - Disse Liliane. Levantou-se. Tadeu era o mais apressado. A mãe pegou a bolsa, o isqueiro, colocou relógio, de corda, no pulso. Os outros dois primos estavam calados.
- Eu vou também, mãe. - Disse o caçula de Liliane. - Espere eu trocar de roupas...
- Não. Fique com os seus irmãos. - Disse Liliane.
Geraldo, o primo, havia vestido um dos pares de tênis novos, meias e jaqueta jeans, forrado com imitação de pele de carneiro, do caçula de Liliane. Era moda, na época. Saíram da casa, os primos e Liliane. A mãe e o primo, Geraldo, nunca mais voltaram.
Quando deixaram a casa, era sexta-feira, 21:30h.
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