Clube de Leitura dos Poetas (Adriana Janaína Poeta) Publisher https://wwwfacebook.com/adrianajanainapoeta adrianajanainapoeta01233034782@gmail.com This Blog is owned and authored by Adriana Janaína Poeta, pseudonym of Adriana Janaína Alves de Oliveira / CPF. 01233034782. Brazilian, born in Rio de Janeiro. Without Whats APP. Writer, Composer, Journalist, Editor, Founder, (2004), and owner. Married to Marcelo Bernardo (de Oliveira), since 04/02/2010.
quarta-feira, 5 de novembro de 2025
Para sempre irmãos. Por Adriana Janaína Poeta/ CPF.:01233034782/ in O Carneiro Nº8/ Volume I/ Escrito em 20/10/2025/ Todos os direitos reservados
Para sempre irmãos.
Por Adriana Janaína Poeta
CPF.:01233034782
in O Carneiro
Nº8/ Volume I
Escrito em 20/10/2025
Todos os direitos reservados
Quando digito, inserem erros gramaticais, de formatação, movem arquivos, através do sistema Wi Fi. Corrijo quando percebo.
- Quando alguém que amamos parte... - Começou a dizer Betina.
- Quando morre, você quer dizer. - Disse Catarina. As duas estavam tristes. Era o segundo irmão que partia. O primogênito, primeiro, agora o caçula dos filhos. Sobraram as duas, a mais velha das filhas e a caçula.
- Sim. - Disse Betina. - Quando alguém que amamos morre, ficamos como quem desperta em um sonho. Aquela sensação de que a realidade é isso. Um sonho. Parece que, a qualquer momento, a pessoa vai entrar por aquela porta, sorrindo.
- Eu o vi, morto. Foi duro. - Disse Catarina.
- Eu vi mamãe, depois Leonel. Mortos. Reconheci os corpos, tratei dos enterros, separei as roupas, calçados, escolhi as flores. Desta vez, preferi que você fosse ver o corpo.
- Eu sei. É muito triste... Injusto. Ele era jovem, amava a vida.
- Todos os três foram antes da hora. Podendo viver neste mundo por mais tempo. Na verdade, quem é bom, não sofre quando parte. Sente saudades de quem amava e ficou no mundo. Mas, nos encontraremos, um dia. Temos esse vínculo eterno. Com mamãe, com nossos irmãos, entre nós duas. Seremos sempre irmãos.
- Ele estava com o pescoço torto.
- Como assim?
- Pendendo para o lado direito. O corpo, a cabeça, as pernas, inchados. A língua enrolada, os lábios roxos. A mão direita estava enfaixada, quebrada. Na tarde anterior, foi ao Hospital, fez exame de sangue. A mãe estava sem machucado. Normal. Sentia-se cansado, ofegante, disse que o coração, às vezes, falhava. Teve os desmaios anteriores, queda de pressão, convulsões, insônia... Estava tomando os medicamentos prescritos pelos médicos. Esperava a ida ao cardiologista. Mas... Por que não o encaminharam das consultas direto para o cardiologista?
- Triste.
- Não tinha ninguém lá, para fazer uma sopa, revezar, para cuidar dele, com aquele monte de gente na casa, hospedado de graça e de favor.
- Eu e Ubaldo revezamos, quando Leonel adoeceu, um ano antes de adoecer novamente. O visitamos, após aquela viagem para a Paraíba. Estava abatido, muito fraco. Eu e Ubaldo o levamos para nossa casa. Eu cuidava dele durante o dia, Ubaldo, à noite. Fiz gemada, cataplasma com rodelas de cebolas cruas nas costas dele, dentro de camisa de malha, por três dias seguidos, enquanto ele dormia, na direção das costas e pulmão. Limonada forte, caldos e sopas, massagens... O rezamos, todas as duas semanas anteriores a sua ida para a Clínica para tratar a pneumonia. O visitamos durante o mês que ficou internado. Voltou para a nossa casa curado, bem. Depois, um ano após, foi internado, na mesma clínica. Já não estava morando conosco. E três meses depois, na UTI, eu e Ubaldo o visitamos todo esse tempo, ele faleceu. Desta vez, não pudemos cuidar dele antes. Todos estávamos com problemas, lembra? Financeiros. - Betina sentou-se, Catarina também.- Ele, como Euclides, amava a vida, ter amigos. Sempre tão dispostos a ajudar a todos, perdoando tudo, socorrendo a quem precisasse.
- Quando fui até lá, todos que estavam na casa dele pareciam preocupados apenas que eu, Olavo, Deuzania e seu Renan, fôssemos embora. A casa toda suja, desorganizada, cheia de gente estranha. Cada vez, chegava mais pessoas. Todos pareciam não se importar muito. Um senhor organizava o enterro. Os que o conheciam há mais tempo, estavam frios. Não parecia que o conheciam. Eu tremi, caí de joelho, assim que atravessei o portão da casa.
- Terrível, eu sei.
- Ele não estava dormindo na suíte dele. O armário, a cama, a cômoda, as roupas, calçados, perfumes... As coisas dele. Tudo o que ele escolheu.
- Sabemos que ele gostava das coisas dele. Tudo organizado, limpo, no lugar.
- Havia um colchonete fino, no chão da sala de vídeo, SM a TV, sem o ar condicionado.
- Um colchonete?
- Sim. Disseram que era ali que ele estava dormindo. Havia o travesseiro dele, um lençol fino, um cobertor fino. A moldura com a foto da formatura da mamãe, ao lado do colchonete, como alguns trilhos de crochê, que você fez para ele, a foto dele com amigas, no porta retrato, a caneca quebrada, com a foto de uma de suas viagens. Duas mudas de roupas, uma calculadora, 01 caneta... Eu havia dito para ele deixar uma garrafa com água, ao lado da cama. Não havia. No sábado ele disse que foi se arrastando para a cozinha, para fazer o soro que você disse para ele fazer.
- Se arrastando?
- Sim. Também estranhei, mas Le disse que já estava melhor, à noite. Teve câimbras nas pernas que não desinchavam.
- Meu Deus...
- Tantas pessoas na casa! Ninguém para fazer um soro, perguntar se ele queria alguma coisa... Era como se nada tivesse acontecido. Ele não estava dormindo no quarto dele. Havia dois vidros de perfume, ao lado do colchonete, no chão, dois pares de meias, um par usado. Ele estava com uma camisa de malha fina, um short de malha, que ele usava para dormir. Uma espécie de suor, líquido ou fluído, cobria o seu corpo.
- O mesmo eu percebi, quando fui com Ubaldo reconhecer o corpo de Leonel, e anos antes, o corpo da mamãe.
- O braço esquerdo estava um pouco mais seco... Só pude ver parte do corpo, estava no saco, o funcionário abriu o zíper para que eu visse. Como estava inchado, pesado, enrijecido... Durante o atendimento, a enfermeira não queria mostrar o formulário, porque disse que a "esposa" tinha levado o corpo.
- Esposa?
- Eu sei. Eu avisei: meu irmão não tinha esposa ou filhos, noiva ou namorada. Era solteiro, e não estava namorando ninguém. Teria dito se estivesse com alguém. Por fim, deixou que eu visse. A causa foi ataque cardíaco. Eu me identifiquei como irmã, mostrei os meus documentos. Adelaide assinou como se fosse esposa. Ela apenas estava hospedada na casa, como a mãe e os demais. Deixamos a sala, Olavo e eu, eu estava arrasada, me sentindo mal. Antes de sair, segurei a mão de Euclides, chorando e disse: Você não está sozinho, eu estou aqui. Rezei um pai nosso, segurando a mão dele. Estava me sentindo fraca. Dona Deuzania e seu Renan esperavam fora da sala. Perguntaram se eu queria voltar para a casa de Euclides ou ir embora. Já tínhamos ido até a casa, então decidi que era melhor ir embora. Os documentos, chaves, celular, lap top dele, não estavam lá, na casa. Ninguém soube dizer onde estava. Os documentos devem estar com Adelaide, porque é preciso para liberar o corpo, mas ela nunca foi namorada, noiva ou esposa dele, sabemos disso. Todos sabem. Você avisou, pelo telefone, que eu iria até a casa, para esperar que eu chegasse, e não esperaram. A mãe de Adelaide disse que não sabia onde estavam as chaves, documentos e celular dele. Eu não pedi a chave que estava com ela, mas ela colocou dentro da calcinha, e estava de vestido, dizendo: "Essa aqui é minha. Você não pega!" Disse: "Ainda bem que a sua irmã não veio!", se referindo a você. Eu estava me sentindo tão mal que não disse nada, não discuti, só queria ver nosso irmão, apenas isso. O senhor que estava cuidando do enterro pediu a todos que contribuíssem, e deu R$500,00 para o enterro. Eu dei R$100,00 que dona Deuzania e seu Renan me deram, sem eu pedir, porque eu não tinha nada para dar, e Olavo pediu R$300,00, emprestado, para o sobrinho. Completaram o valor com ajuda de outros, e assim foi feito. Eu separei as roupas para o enterro, mas disseram que já tinham separado outra, que ele estava gordinho, as roupas que eu separei não estavam adequadas. Havia uma sacola cheia de remédios, que ele estava tomando, que depois ficou só pela metade, estava na sala. Enquanto fui ao quarto, metade dos remédios sumiram da sacola.
- Temos que lembrar dele como era, alegre, otimista, sonhador. Saudável, gentil, carinhoso. Bom irmão, bom amigo. Agora ele está bem, com Leonel, com mamãe, com Deus, que é sempre bom. Está livre.
- Eu sei, mas meu irmão... Eu o queria vivo. Estava sem quem o amava, quando morreu. Se estivéssemos lá... Poderia estar vivo. Pelo menos não morreria sozinho. Disseram que, pela manhã, ele estava gelado. Pediu a mãe de Adelaide para fazer um soro caseiro para ele. Ela fez, ele bebeu e vomitou. Depois ele foi até a cozinha, bebeu café e comeu pão com manteiga. Não vomitou, mas pouco depois morreu. As janelas e portas da casa estavam todas fechadas, as cortinas escuras, exceto as cortinas da suíte dele, que eram as antigas, clara. Ele gostava da casa com as janelas abertas, tudo claro, bem limpo, organizado e ventilado. Gostava de tomar sol, respirar ar puro, das coisas dele, que ele comprou, escolheu. Só havia um aparelho de ar condicionado, na suíte dele, e antes havia em todos os quartos, na sala, ele comprou, lembra? Faltavam móveis. Tinha um casal com duas crianças e um jovem na suíte dele. O portão de cão que dava para a vida, torto. Deuzania me puxou, quando ainda estávamos na casa e cochichou: "Vamos embora, Catarina. O clima está pesado. Você reconhece o corpo, vamos logo." Eu não tinha tomado o café da manhã ainda. Estava me sentindo mal, já disse. Vomitei, duas vezes...
- Seremos para sempre irmãos.
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